domingo, 17 de junho de 2007

ousadia tem cheiro de estranheza


Bem-vinda estranheza, sobretudo se vier da televisão. Dizer que A Pedra do Reino, microsérie exibida entre terça e sábado da semana passada, na Rede Globo, subverte a linguagem da televisão é chover no molhado. A importância desse novo projeto do diretor (e visionário) Luiz Fernando Carvalho só será medida quando propostas como A Pedra do Reino desaguarem por todas as emissoras de televisão do Brasil.

Porque televisão não pode ser só um aparelho que mastiga fórmulas ultrapassadas e segue idiotizando as pessoas para todo o sempre e amém. A televisão precisa ser uma janela para a fantasia, para o absurdo, para o sublime. Não cabe mais nessa telinha o beijo do mesmo gosto. É preciso dar vazão a virulência de gente como Carvalho, que traz as infinitas cores do cinema para dentro da televisão.

Porque a saída do cinema no Brasil é invadir a televisão. Já que os filmes da novíssima leva de cineastas não chegam ao público, por mil e um motivos que não cabem em 25 linhas de texto, a saída é invadir a televisão. Carvalho fez isso. Depois da luta descabida por levar aos cinemas do Brasil o filme Lavoura Arcaica, que tinha apenas cinco cópias, Carvalho encontrou na televisão a nova morada da sua fértil imaginação.

Depois de A Pedra do Reino virão ainda outras três microséries: Dois Irmãos, Capitu e Dançar Tango em Porto Alegre. Espero que sejam obras tão abertas como A Pedra do Reino. Obras que permitam a fruição de cada espectador, com suas angústias e limitações. Que tenham o mesmo gosto da estranheza dos filmes de Glauber Rocha, Dziga Vertov e Andrei Tarkovski, inspiradores das narrativas de Carvalho.

sábado, 16 de junho de 2007

pior do que chocolate quente com leite em pó

Não há um argumento sem discordância. Tudo o que se diz sobre Gramado e sobre o interesse das pessoas por Gramado é bobagem, é pior do que boato, é inútil. Tudo se dissipa no tapinha nas costas. Tudo se dissipa na exorbitância dos preços sem noção. Tudo deságua no atendimento pífico, na comida sem gosto, nas malhas sintéticas e no chocolate quente de leite em pó.

Tá aí: Gramado anda pior do que chocolate quente com leite em pó.

fui pra Canela.

terça-feira, 5 de junho de 2007

resenha

UM DIA NA VIDA, de Jorge de Jesus

O segundo filme é sempre mais fundamental do que a estréia. Assusta menos ao realizador e suscita mais a curiosidade do público. Em alguns casos é definitivo. Se o diretor não apresenta um bom trabalho, no mínimo uma evolução da obra anterior, pode ser que o limbo do esquecimento seja o único paradeiro.
O videasta caxiense Jorge de Jesus tá nessa. Recém lançou Um Dia na Vida, seu segundo curta-metragem, e espera agora colher mais frutos do que com Sapateiro (2004). Os dois foram produzidos com recursos do Fundoprocultura. Os dois tem como fio condutor, a crítica social.
Em Sapateiro, Jorge pega pesado e mete o dedo na ferida escancarando a venda de cola de sapateiro. Em Um Dia na Vida, há mais poesia quando o diretor relaciona o abandono de um mendigo (Marcelo Casagrande) jogado nas sarjetas de Caxias ao dilema de uma menina mimada (Fernanda Rodrigues) que não consegue resolver seus problemas.
Um Dia na Vida é melhor do que Sapateiro. Tem um roteiro mais apurado e estabelece uma maior empatia com o espectador. O que aproxima o público é a inesperada atuação da atriz Fernanda Rodrigues. Geralmente sem sal nem açúcar, ela parece avançar sobre o espectador. Quanto maior a angústia da sua personagem, maior a entrega de Fernanda.
Outro destaque é o ator Marcelo Casagrande. Mesmo sem pronunciar uma palavra sequer seu personagem rouba a cena. Essa boa repercussão do filme não deixa de ser um pedido de desculpas pelo atraso no lançamento. Gravado em 2004 só estreou dia 11. Na saída da sessão, uma funcionária da Secretaria da Cultura disse:
– O filme tá muito bom, diz pro Jorge que ele tá desculpado pela demora.

Curta-metragem, drama, 2007. À venda pelo site www.doarcodavelha.com.br

sábado, 26 de maio de 2007

sobre Caravaggio, o filme, não a Santa

É fácil falar mal do filme Nossa Senhora de Caravaggio. Há problemas graves de produção, figurino, direção de arte e interpretação dos atores. O roteiro narra três momentos históricos distintos, 1432, 1875 e 2004. No entanto, fora o enredo, não há um conceito estético que os una. Mas nada disso importa. Fábio Barreto não é dado a essas "frivolidades" do cinema. Ele prefere o formato televisivo, do dramalhão, ou como se diz nas universidades, do melodrama.
Antes mesmo da estréia, o produtor executivo Hilton Kauffmann avisava:
– Nossa Senhora de Caravaggio não é um filme para intelectual. Ele tem o tom de uma novela das sete.
E talvez seja por isso que, mesmo sendo uma produção a partir de uma Santa da região da Serra, bem menos popular do que o Padre Cícero, por exemplo, possa alcançar o sonhado número de 70 mil espectadores no Brasil. Nossa Senhora de Caravaggio só quer contar a história de pessoas devotas à Santa. Narra o cotidiano de mulheres sofridas que, não apenas rezaram por dias melhores, mas decidiram elas mesmas mudarem o rumo de suas vidas.
O destaque é o padre Gusmão (Sidnei Gomes Borba). Ele não é só uma figura carismátrica. Não apenas conduz os personagens pela trilha da fé. É o padre quem atrai os espectadores e os coloca no mesmo plano dos conflitos de Joaneta, Gomes, Angélica e tantos outros.

piada de agouro

voltei.

hahahaha.

domingo, 25 de março de 2007

esse é o que tava no site da piauí

Navalha na carne

Delta do Nilo. Sol à pino. Pés descalços fervendo sobre a areia. O perdão não custa quase nada, mas o velho não se rende. Crava a bengala na areia fofa e arrasta o corpo. Lábios secos, olhos cravejados de raiva. O velho nunca quis nada além do afago, do sorriso, do beijo eternamente apaixonado. Sentado na varanda o velho ainda moço fitava o horizonte, vislumbrava as tardes de não fazer nada ao lado da mulher amada. Imaginava-se comendo pêras, nunca engolindo farpas.

Conheceram-se numa tarde de chuva. Vento forte de destelhar casas. Alice, menina de cabelos loiros e longos, pele branca e olhos verdes, translúcidos, corria pra lugar nenhum tentando se proteger da calamidade. Khalid, alto, forte, deparou-se com Alice numa das esquinas movimentadas do centro de Cairo. Olho no olho, Khalid e Alice, encharcados de chuva, sorriram. Nenhum beijo, nada. Só o silêncio da ternura. A quietude durou quase nada porque um carro buzinava enlouquecidamente.

Alice nem disse adeus, só entreolhou através dos cabelos molhados, sorriu e correu para o carro. Khalid reconheceu o amor em breves segundos de caos. Nos dias seguintes, enquanto os moradores e comerciantes recolocavam as coisas em ordem, Khalid passava as tardes à espera de Alice. Na mesma esquina. Alimentando o desejo de voltar a vê-la, com o mesmo sorriso e ternura, com a mesma graça. Um mês depois, Alice sai do mesmo carro daquela tarde chuvosa, estacionado no mesmo lugar.

Se fosse um filme a cena seria em câmera lenta com uma música de Tom Waits antecipando o encontro. Alice de óculos escuros, salto agulha, vestido esvoaçante, não parecia nada vulnerável. Khalid se aproxima. Alice baixa o óculos e por cima observa Khalid. Tira da bolsa uns trocados e entrega a Khalid.

– Por que essa merda de dinheiro? Eu te amo, não quero nada além de um beijo lascivo e interminável.

– Cala a boca, seu podre, mentiroso e moribundo – retruca Alice.

– Mas Alice, eu já disse que não sou mitômano!

Depois da queda, a foice. Num só golpe.

minha culpa

- O que o Dunga viu nesse goleiro que é reserva do reserva no Grêmio? Pra que convocar ele? - diz a mãe do Maneka.
- Mãe, essa reportagem quem fez foi o meu amigo, o Mugnol, aquele que a senhora diz que é meio louco e escreve umas coisas estranhas sobre cinema... - explica Maneka.
- Ah, então tá explicado. Só podia ser coisa desse maluco... - desafaba a mãe do Maneka.

sábado, 3 de março de 2007

trailer

Tá disponível no YouTube o trailer do filme "Cão se Dono", do Beto Brant.
É uma adaptação ao livro de Daniel Galera.

http://youtube.com/watch?v=uMKTr3z07q4

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

vai lá

conto meu no site da revista Piauí.

vai lá.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

o sonho da quase rainha

Em algum lugar do litoral norte, numa dessas praias de mar revolto, areia suja de cacarecos e vento nordestão, uma família feliz decide o futuro da filha.
– Mãe, tô estressada. Preciso descansar, de preferência bem longe daqui.
– Olha minha filha, eu também acho. Depois de cinco anos de faculdade você merece!
– Quer passar o Carnaval em Bombinhas? Papai aluga uma casa com piscina.
– Ai pai, Bombinhas?
– O que é que tem minha filha?
– Bombinhas tem tanto caxiense quanto aqui. Lembra que a gente foi no verão passado e a mamãe reencontrou as colegas do ginásio?!?
– Ah, sim a Lorena, a Evilásia, nossa quanto tempo eu não as via.
– Mãe, cala a boca...
– Respeito com sua mãe.
– Tá desculpa, mas é que vocês me deixam p* da cara. Eu preciso viajar, correr o mundo...
– Papai tem amigos em Pádova, na Itália...
– Pai, eu odeio a Itália. Não suporto gringo!
– Não suporta essa gringada, mas implorou pra concorrer à rainha da Festa da Uva, né?
– Sabe por que eu queria ganhar? Pra mostrar como deve se portar uma verdadeira rainha.
– Parem vocês dois. Que coisa feia, as pessoas estão olhando.
– Esse bando de véio tarado vem a praia só pra ficar babando mesmo...
– Chega minha filha. Afinal de contas, qual lugar você sonha conhecer?
– Londres...
– Londres? Nem morta.
– Por quê, pai?
– Filha minha não vai pra Londres trabalhar em bordel nenhum!
– Tá me chamando de p*, seu velho safado? Quer dizer que o senhor, um profundo conhecedor desse universo, reconhece no meu olhar um certo talento para a safadeza?
Depois de um tabefe na orelha, Laurinha recebeu o afago da mãe. A dois dias, Evaldo, amigo do pai, ligou avisando que vai tudo bem com a menina.
– Ela é uma menina especial. Esse duplo carpado inclinado tá fazendo o maior sucesso por aqui – revela.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

boa viagem

No pátio tem musgo, aquele velho balanço brinca ao vento e duas meninas jogam dardos nas costas do tempo. O vento derruba as folhas secas daquela árvores esguia. É quase noite. Um extraterreste vestindo uma camiseta com a estampa da Virgem Maria tira uns sons estranhos de uma escada de ferro. É ruído, pré-música, substrato para a vaguidão. Entre uma batida e outra nos degraus da escada de ferro, outro lunático dá porrada numa calha roubada. O som é assustador.

O extraterreste gosta de filmar o desespero numa câmera bem pequena, quase de bolso. O lunático prefere o tique-taque do relógio. Em comum, eles só têm o mesmo deus, Pasolini. Sem ele, o mundo seria um tédio, acreditam. Conheceram o cineasta italiano numa festa regada a Daime. Pouco vinho e muito Daime, aliás. Pasolini entregou a eles, um frame do primeiro curta-metragem jamais exibido. Agradeceram beijando seus pés.

O lunático chama-se Moisés. Ele não é da tribo dos Levi, como o famoso Moisés, aquele da Bíblia. Moisés é da tribo dos Moimats. Colhe uva no verão e instala parabólicas no inverno. Depois do primeiro choque, trocou o nome para Moishe. Acredita na reencarnação como pressuposto para a virilidade. Durante o período em que morou nas cavernas do Sudão apaixonou-se pela poesia de Vladímir Maiakóvski.

O extraterrestre se chama Robinson. Não, ele não é o primo do ET. As aparências enganam. Robinson cultiva lesmas para costurá-las na boca de meninos arruacieros. Robinson virou mussulmano na adolescência, depois de ser passado para trás no jogo War. Desde então, prefere ser chamado de Lappat. Não gosta de gente que fede. Coleciona filmes em VHS porque acredita na cura depois da morte.

É uma pena, mas Lappat e Moishe vão embora. Foram chamados pelo Pasolini. Parece que é uma nova missão espacial. Algo a ver com o gergelin do Big Mac.

Até a volta.

Crônica de hoje publicada no Pioneiro.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

O mesmo brilho, nem um pouco falso


Faz 25 anos que Elis Regina morreu,
e mesmo com o relançamento de CDs e DVDs,
amigas como Catarina ainda sentem a sua falta


19 de janeiro de 1982. Quem sabe o dia mais silencioso da recente história da música popular brasileira. Depois de passar a noite em claro e sozinha no seu apartamento nos Jardins, em São Paulo, Elis Regina Carvalho Costa foi encontrada morta. Encerrava ali a prematura carreira, aos 36 anos. O mito segue intenso até hoje, com o mesmo brilho, nem um pouco falso. A indústria fonográfica aproveita os 25 anos de morte e lança uma série de CDs e DVDs (confira abaixo). Para os fãs, isso pode amenizar a dor, mas para os amigos talvez não.

– Eu soube da morte dela pela televisão. Foi horrível. Eu não acreditava – recorda Catarina Pellegrini, 60 anos, professora aposentada.

Catarina foi colega de Elis dos 11 aos 16 anos, no Instituto de Educação General Flores da Cunha e no Colégio Júlio de Castilhos, ambos em Porto Alegre. Dividiram mais do que a mesma classe, dividiram intimidades, confissões e sonhos.

– A Elis tinha certeza que seria a melhor cantora do Brasil, sempre me dizia isso – lembra Catarina.

Naquela época, Elis se descobria artista. Gravava jingles publicitários e, assim, não apenas alimentava o sonho de ser a melhor cantora do Brasil, mas também contribuía para aumentar o orçamento da família.

– Ela sempre foi muito batalhadora – reconhece Catarina.

Numa das últimas vezes que esteve em Porto Alegre, Elis foi rever a amiga Catarina. Na época, Elis namorava o advogado Samuel Mac Dowell de Figueiredo. Catarina não recorda a data, mas sabe-se que Figueiredo manteve um relacionamento com a maior cantora do Brasil por seis meses, até a morte dela.

– Fomos jantar num restaurante e ela me pediu para ir ao banheiro com ela. Aí, ela me disse: "minha vida tá uma merda!". Bem assim, com essas palavras. E respondi pra ela que é nesses momentos que se pode contar com os amigos, mas ela respondeu que a vida dela andava muito complicada e não queria envolver os amigos – revela Catarina.

Catarina ainda sente falta da amiga. Infelizmente, as poucas cartas e muitas fotos, com Elis foram extraviadas. No fundo, não importa, porque Catarina guarda no coração as memórias dessa convivência.

– Elis era uma pessoa muito doce e afetuosa, mas carente. Ela vivia sob pressão, e por isso acabou fazendo uma loucura. Sinto não ter ficado ao seu lado quando ela mais precisou – emociona-se Catarina.

Numa entrevista reproduzida pela revista Veja na época da morte da cantora, ela resumiu numa frase o quanto a vida lhe parecia confusa.– Eu conheci o sucesso sem estar preparada para enfrentar a vida – desabafou Elis.



Relançamentos e novidades chegam
às lojas em função dos 25 anos da morte
da cantora gaúcha Elis Regina

Na Batucada da Vida, Doce Pimenta e Falso Brilhante, caixa com três DVDs da Elis Regina. Sob direção de Roberto de Oliveira, mostra vida e obra, da infância aos anos 80. Lançamento da EMI.

Os Primeiros Anos, CDs do início da carreira. Contém Viva a Brotolândia (1961) e Poema de Amor (1962). Lançamento da Globo Warner.

No fim do ano passado, a Trama lançou o álbum Elis (o último, de 1980). O CD vem encartado a um DVD contendo a célebre entrevista ao programa Jogo da Verdade, que a TV Cultura gravou dia 4 de janeiro de 1982, 15 dias antes de sua morte.

Há ainda no mercado dois DVDs: Grandes Nomes, da Rede Globo (1980) e, Ensaio, de 1973, da TV Cultura.

Reportagem publicada no Jornal Pioneiro.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Babel em cartaz...

...em São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro...

Amigo Pavão Misterioso, Babel entra em cartaz amanhã (sexta) no Brasil - menos, é claro, aqui na nossa Itália.

Sugiro ligar pro GNC, pro Ordovás e pra UCS pedindo quando Babel vem pra Caxias.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

A Babel do Globo de Ouro

Filme do mexicano Alejandro González Iñárritu
é eleito o melhor da premiação, considerada
uma prévia do Oscar


O mito da Torre de Babel, citado na Bíblia, não apenas inspirou Babel, filme do mexicano Alejandro González Iñárritu, mas também os críticos da Associação de Correspondentes Estrangeiros em Hollywood. Basta ver a lista dos vencedores do Globo de Ouro, revelados na noite de segunda-feira, e comprovar como o troféu foi bem dividido entre os realizadores, artistas e produtores de diferentes países.

O diretor mexicano Iñárritu levou o prêmio de melhor filme de drama. Sua história tem cenas no Marrocos, Estados Unidos, Japão e México. Deixou na poeira Os Infiltrados, de Martin Scorsese, que por sua vez levou a estatueta de melhor diretor. O filme de Scorsese trata do duelo entre a polícia de Boston e a máfia irlandesa.

Seguindo pela Torre de Babel, o norte-americano Clint Eastwood leva o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro (pasme!) por Cartas de Iwo Jima. A justificativa é que a produção teve investimento japonês e a trama falada em japonês. Absurdos à parte, o espanhol Pedro Almodóvar foi esnobado pelo Globo de Ouro.

Mas Meryl Streep não deixou por menos. Agradeceu ao prêmio de melhor atriz em comédia ou musical, por O Diabo Veste Prada, pedindo mais espaço para bons filmes, sobretudo os estrangeiros, nas salas de cinema dos Estados Unidos. E nominou, dentre as ausências da tela, Volver, de Almodóvar e, O Labirinto de Fauno, do mexicano Guillermo del Toro. A atriz espanhola Penélope Cruz, aplaudiu.

O império inglês também foi reverenciado pela "quase rainha" Helen Mirren. Ela levou dois prêmios de melhor atriz, um pela minissérie Elizabeth I, outra de melhor atriz em drama por A Rainha, no qual faz o papel de Elizabeth II. Seu compatriota, Sacha Baron Cohen, recebeu o Globo de Ouro de melhor ator em comédia ou musical por Borat, interpretando um suposto jornalista do Cazaquistão.

Agora, o que parecia piada aconteceu. A versão americana do pastelão colombiano Betty, a Feia, ganhou o Globo de Ouro na categoria melhor comédia da TV. Como se não bastasse, a atriz hondurenha America Ferrera levou a estatueta de melhor atriz de comédia pelo mesmo seriado. Essa Babel do Globo de Ouro, considerada uma prévia do Oscar, vai aquecer as apostas pela premiação mais glamourosa do cinema, que ocorre dia 15 de fevereiro.

Em 2006, Crash levou o Oscar de melhor filme. Babel, o vencedor do Globo de Ouro, tem o mesmo perfil de Crash. É contestador e político. Tratam da arrogância e discriminação de um mundo cada dia mais injusto. Resta saber se a Academia de Hollywood vai se repetir e voltar a premiar um filme crítico em detrimento de outros – como o grande vencedor do Globo de Ouro, com três estatuetas, o musical Dreamgirls – Em Busca da Fama, espécie de Antonia dos americanos. Façam suas apostas.


Os vencedores

Prêmios de cinema
Melhor filme (drama): Babel
Melhor atriz (drama): Helen Mirren (A Rainha)
Melhor ator (drama): Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia)
Melhor filme (comédia ou musical): Dreamgirls – Em Busca da Fama
Melhor atriz (comédia ou musical): Meryl Streep (O Diabo Veste Prada)
Melhor ator (comédia ou musical): Sacha Baron Cohen (Borat)
Melhor filme de animação: Carros
Melhor filme em língua estrangeira: Cartas de Iwo Jima
Melhor atriz coadjuvante em longa-metragem: Jennifer Hudson (Dreamgirls – Em Busca da Fama)
Melhor ator coadjuvante em longa-metragem: Eddie Murphy (Dreamgirls – Em Busca da Fama)
Melhor diretor: Martin Scorsese (Os Infiltrados)
Melhor roteiro: Peter Morgan (A Rainha)
Melhor trilha sonora original: Alexandre Desplat (The Painted Veil)
Melhor canção original: The Song of the Heart, música e letra de Prince (Happy Feet)

Prêmios de televisão
Melhor série dramática: Grey's Anatomy
Melhor atriz de série dramática: Kyra Sedwick (The Closer)
Melhor ator de série dramática: Hugh Laurie (House)
Melhor série (comédia ou musical): Betty, a Feia
Melhor atriz de série cômica ou musical: América Ferrera (Betty, a Feia)
Melhor ator de série cômica ou musical: Alec Baldwin (30 Rock)
Melhor minissérie ou telefilme: Elizabeth I
Melhor atriz em minissérie ou telefilme: Helen Mirren (Elizabeth I)
Melhor ator em minissérie ou telefilme: Bill Nighy (Gideon's Daughter)
Melhor atriz coadjuvante em minissérie ou telefilme: Emily Blunt (Gideon's Daughter)
Melhor ator coadjuvante em minissérie ou telefilme: Jeremy Irons (Elizabeth I)

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

rátátátá

"Mãos para o alto". E não é rap dos Racionais. O Lula diz que é terrorismo. O novo governador do Rio, o Cabralzinho, acha que é o Lula que tá fazendo terrorismo. Pobre Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, sede dos jogos Pan Americanos de 2007, ser tachada de cidade baderneira, cidade que desencadeia ondas de arrastão e esse negócio de queimar ônibus.

Mas sabe que esse negócio de queimar ônibus, dizem os paulistas, é coisa de carioca enrustido. Que mania tem, dizem os paulistas, de copiar tudo que São Paulo faz. Até as cagadas e a incompetência da polícia, carioca copia de paulistas. Mas isso é paulista que diz. Porque os cariocas dizem que faziam isso a muito tempo. Tempo em que o 38tão era arma impôr medo e conseguir umas gatinhas na favela.

Falando em favela. O Andriano Duarte, repórter de segurança do jornal Pioneiro, publico matéria hoje, no Pioneiro, traçando um mapa do tráfico de drogas em Caxias. O sociólogo responsável pela pesquisa que embasou a reportagem acredita que, se a prefeitura de Caxias não tomar providência, logo logo a cidade terá os visatão pegando fogo por aí.

Na Globonews não se fala de outro assunto. Não o tráfico em Caxias, mas do caos no Rio de Janeiro.

Enquanto isso, mais um ônibus é incendiado. O governador, o Cabralzinho, pede que as Forças Armadas dêem um jeito nisso...

A guerra civil brazuca segue fazendo estrago e levando gente como Lula e Cabralzinho adiante.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

o natal da dona adelaide

Dona Adelaide sorri. Aquele riso descomedido, como se voltasse àquelas sessões de matinê. Naquele tempo Porto Alegre tinha menos carros e ônibus e o vai-e-vêm das pessoas acompanhava a cadência do lamento de Lupicínio, quanto muito o choro de Pixinguinha. Nada dessa zoeira, zumbido e ziguezague desenfreado rumo a todo lugar e ao mesmo tempo lugar nenhum. Apoiada na soleira da janela da casa erguida na Chácara das Pedras, Dona Adelaide sorri.

As pernas não têm a mesma força de antes, quando passeava pela cidade de braços entrelaçados com as amigas Julieta e Ester. O tempo lhe tirou um amor aqui, outro ali, mas nunca o encanto pela vida. Nunca o gesto afável, o olhar doce, o sorriso de menina. Dona Adelaide tem 85 anos. E, se Deus quiser, vai passar o Natal em Caxias do Sul. Não promete um brinde caloroso, porque a bebida pega fácil.

– Só um golinho de champanhe porque fico tontinha. Eu gosto mais de cerveja preta, aquela bem docinha – revela, de cantinho.

O Natal da Dona Adelaide começou a duas semanas quando aceitou o convite da neta Patrícia para vir a Caxias. A ansiedade é só mais um dos muitos motivos que Adelaide tem para sorrir. Nem sabe o que a espera. Não sabe sequer onde vai dormir. Não sabe em que lugar da mesa farta vai sentar. Não sabe se terá champanhe ou cerveja preta. O futuro não a preocupa. Dona Adelaide tem fé.

– Se Deus quiser, se Deus quiser vou a Caxias.

O melhor presente para Dona Adelaide seria um maiô rosa. É sério, não é piada. O maiô rosa lhe transportaria para o dia do casamento. Dona Adelaide ganhou um maiô rosa, mas nunca pode usá-lo. Por implicância de uma tia pudica (e insensível), trocou o lindo maiô rosa por um vestido que cobrisse os joelhos. Esse novo maiô rosa ela também não precisa usar. Poderá contar aos bisnetos e trinetos que o triste fim do maiô rosa ganhou um novo capítulo no Natal de 2006.

– Vivi coisas tão bonitas, né?

Viverá outras mais, querida Adelaide. Começando por esse Natal.

o último beijo

Pior do que fim de ano é desgosto, tapa na cara, camisa rasgada e encharcada de champagne. Valéria, loira, 23 anos. Vilmar, cabelos castanho claros, 29. Valéria é sonhadora, ou como dizem as amigas invejosas, quer marido rico e uma coroa de rainha. Vilmar é rico, mas trabalha.

Valéria faz aulas de desenho e pintura no intervalo de um desfile e outro para uma grife local. Na verdade, ela desfila uma vez por ano. Faz por caridade. As amigas invejosas dizem que nada é por caridade, só mídia mesmo. Vilmar passa seis meses viajando pelos países sofridos da África. Leva a utopia da cura e um punhado de carinho.

Valéria tinha de casar antes de ficar velha. Antes do fim da mesada, antes de precisar trabalhar. Graças a Deus Vilmar lhe caiu do céu. Vilmar é romântico, compra flores sempre na mesma floricultura, brinda o amor com o mesmo encanto da primeira noite. Valéria não faz teatro, mas é boa atriz. Ama ser paparicada, ama os presentes, das pequenas jóias, àquele carrão novinho em folha.

Vilmar jamais era citado em coluna social, mas bastou anunciar o casamento com Valéria para virar figurinha fácil. Vilmar nasceu em berço de ouro, mas dispensa os holofotes porque, como diz sua mãe, gente chique não se expõe. Vilmar ama Valéria. Valéria ama a mídia. Valéria troca o carinho de Vilmar por presentinhos e bem-estar. Prazer, dizem as amigas invejosas, ela busca em quartinhos escuros, portinhas escusas de danceterias e por aí mesmo.

Mas um dia o amor acabou. Aliás, o casamento acabou. Pobre daquela gente que virou padrinho e testemunha de um dos enlaces mais badalados da cidade. Que mico, hein?. Tava demorando, grita o coro de amigas invejosas. Amor, se teve, era unilateral. Mas não tem problema, traição não dá cadeia. Era um garotinho tão gostosinho, conta uma das amigas invejosas.

Nesse Reveillon Vilmar vai brindar o amor com champagne e caviar. Vilmar é romântico e nunca perde o encanto pela vida. Valéria continua loira, quer marido rico e coroa de rainha. Vai brindar daquele jeito-jeca: "Uhu, gurias".

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

esfarelando as folhas secas

O relógio na cabeceira; na varanda, o velho trôpego despenca da escada; no varal, a roupa manchada de sangue e bílis; no quarto, a mãe dá a última ordem da noite; na cozinha, o pão de milho vira farelo; no pátio, nada, ninguém, só o ruído do balanço enferrujado, sozinho ao vento.

- Depois de um certo tempo nada mais faz sentido.

A mãe sumiu; o ambulante serra a mesma mesa de vime; o verme almoça em silêncio; a menina de olhos alvos lava a tristeza do rosto; o pastor recolhe as pedras do caminho; o bêbado deposita o medo no altar da solidão; três dias mais sem leite e o gato definha.

- Uma noite sem vertigem suplantaria a dor.

Saudade das folhas secas, de colher as folhas secas e passar as tardes esfarelando-as; pena do vô, descascando a própria pele, tirando a mesma casca da velha ferida; vontade de sair correndo pelo campo, aquele gramado verdinho; vontade de esfolar os joelhos no gramado molhado.

- Essa noite não. Não assim, por favor.

Alguma coisa rompeu a vidraça; na madrugada ensandecida, a ordenha da vaca terminou antes do tempo; nenhum sinal de pedra, bola de futebol da molecada, muito menos as bolinhas de gude do filho da empregada; essa coisa atravessou a sala, a cozinha, e foi se alojar na subida da escada; um tiro, certeiro, no olho do vô; no olho do porta-retrato do vô.

- Só não esquece do amor, ali parado na esquina.

No baú resta apenas aquele velho osso esfarelento; escapa da memória o sonho; ninguém tem coragem de devolver a ilusão da casa; as paredes revelam o mofo, o cheiro do tempo em decomposição; o sermão do pai desmorona antes da madeira; o cupim só não devorou o velho baú.

Perdi o vô na estação; corre pra casa antes que a tarde caia; morde a língua se o desejo não arde em brasa; a raiva ainda há de corroer o amor; alguém tira essa lesma da mesa de jantar, porque o velho vai sentar; tira o verme de perto do velho antes que ele o devore; antes que o velho volte a ser o verme em putrefação, coloquem o osso do velho de volta ao baú.

- Só mais uma gota de endorfina, por favor.

Conto-paranóia de hoje publicado no Pioneiro.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

ó, zoreia

Vai lo Yahoo e lê a matéria completinha. Lá tem uma lista dos dez vídeos mais assistidos pela Internet.

Clica.

o lamento do velho sarcástico

Silêncio. Neblina cerrada. Vento forte. O lixo rodopia numa rua deserta. Ou quase. Sentado na sarjeta está um velho maltrapilho, terno cinza, chapéu estropiado e pés descalços. Gesticula e fala sozinho. O vento lança cacarecos contra o velho. Com a ajuda da bengala de madeira, levanta-se da sarjeta e segue neblina adentro, a favor do vento.

Os primeiros raios de sol atravessam o nevoeiro. O velho nem se importa. Olhar cravado no horizonte e arrastando a perna esquerda, segue a lugar nenhum. Aquela tosse seca parece antever o inesperado encontro. Antes do catarro esparramar-se no chão uma manada de búfalos irrompe a neblina. O velho não se intimida e, de braços bem abertos, dá as boas-vindas.

Fade.

O velho abre os olhos. O corpo dói, talvez tenha fraturado a perna boa, ou cortado a face, ainda não sabe. Só não entende esse bando de anões ao seu redor. Cada um lambe uma das feridas espalhadas pelo corpo. A saliva que corre alimenta a terra seca. Aos poucos brotam pequenos ramos verdes. Dissipa o nevoeiro. Os ramos crescem rapidamente. O sol forte a pino queima o corpo desnudo do velho.

O ritual se encerra com um canto coral. Senhoras albinas vestidas com mantos pretos, segurando cajados, entoam uma música estranha. Sons repetidos como um mantra se misturam ao choque dos cajados em uníssono. Enquanto ressoa a trigésima versão da mesma canção, uma das senhoras albinas tira o manto preto e o coloca sobre o velho deitado na terra seca. O canto cessa.

Fade.

Num descampado verde, quase sem árvores, um velho mira sua espingarda. Olhar cravado no horizonte, à espera. Através da mira, vislumbra um búfalo. Estranhamente tudo parece tão lento. O búfalo cresce na mira. O velho acomoda o dedo no gatilho. Um tiro só, e basta. Certeiro, o bicho tomba, e ao seu redor a terra seca. O velho tira um maço de cigarro amassado do bolso e traga com prazer. O búfalo vê o velho de canto de olho. E bufa.

Fim.

Crônica de hoje, publicada na página 42, do jornal Pioneiro.

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

pauta para o mordendo a fronha

saudosismo barato não resolve nada, mas se o Mordendo a Fronha ainda existisse (persiste, mesmo sem um canal pirata) ... certamente esse blog viraria pauta de dois ou mais programas.

Baldi, Guto e Jorge...cliquem aqui.

Inté.

pauta para o mordendo a fronha

saudosismo barato não resolve nada, mas se o Mordendo a Fronha ainda existisse (persiste, mesmo sem um cnal pirata) ... certamente esse blog viraria pauta de dois ou mais programas.

Baldi, Guto e Jorge...cliquem aqui.

Inté.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

news cabaretianas

Fabrizzio esreve e aqui publica-se:

"Salve Cabareteiros! Pois bem, chegou o momento da libertinagem total. A Cabaret Hitec resolveu liberar geral e colocar à disposiçao da galera todas as suas músicas em formato mp3 para download.
Baixem, copiem, pirateiem... façam o que quiserem... o que vale é a gritaria.
Para baixar as mp3, bata visitar nosso site na Tramavirtual:http://www.tramavirtual.com/artista.jsp?id=488
Depois é só alegria.
Entao, have fun!"

onde andará maikel de abreu?

Ou Clávículas....Baldi....me fez lembrar de Maikel de Abreu.

Não tenho mais visto o Maikel. A última foi no Copacabana. Estávamos Baldi, Esqueleto e eu. Aí aparece Maikel. Dois dias depois, Maikel me escreve um scrap. Tinha voltado a escrever depois de assistir, escorado no balcão e bebendo cerveja, a uma performance esdrúxula do Esqueleto (tentando dançar ou algo pior, sei lá).

Pra quem não sabe, o Maikel tá de banda nova, depois da saída dos Viralatas.....e faz tempo, hein. A nova banda dele é Bandini. Ouça aqui.

baldi na tevê

Um dia o filme sai. Não sei se com o Caio Blat dirigindo, mas um dia sai.

Na madrugada de sábado, o Caio Blat disse no Altas Horas, que adoraria adaptar para o cinema um dos contos do livro Ou Clavículas, do Cristiano Baldi. É aquele do Fábio Júnior... Quem leu sabe qualé.

Baldi não foi encontrado no celular nem mesmo no e-mail para dizer o que acha disso.

eu sabia

hahahaha.

eu sabia que daria certo.

sempre dá.

é bom ter leitores atentos. o rato morde quase todas as armadilhas. mas faltou 2.

inté.

sábado, 2 de dezembro de 2006

a vida na máfia

Courtesy Donna Polivka Gallery

E segue o baile.

Nunca pensei que um textículo como Caetano renderia tanto. Acho que vou pra Bahia amanhã. Quem sabe encontre o Caetano dando bobeira pelo Pelourinho. Ah, claro, isso se ele conseguiu sair de Porto Alegre...

Well...Pavão Misterioro, vulgo Ah, Muleke, músico de verve asiática, mas com carapuça italiana... saúda a Máfia do Dendê. Melhor essa, da caetanada, do que a Máfia da Lancheria do Parque. Ah, mas esse é jogo que nem precisa ser jogado. Até porque a Máfia da Lancheria morreu, fechou as portas em 1987, 1988. Não mais.

Aquela Oswaldo Aranha já deu mais suco. Hoje, aquilo tudo só figura em fascículos, quem sabe para serem degustados pela Escola do Rock do Frank Jorge, instalada lá na Unisinos. Quando o assunto é máfia, pelo menos a do Dendê é Máfia, com M maiúscula. A da Lancheria, não. Aquilo foi só um ensaio, quanto muito jam session sonolenta.....ZZZZZZZZ.

Por isso, digo e repito, caro amigo Pavão Misterioso, companheiro de alguns bares (já foi no Zumzum? lá não tem ingresso...lembra que falamos sempre disso?), é bom morar aqui em Cassias. Aqui ninguém vê, ninguém dá bola, e atrás de cada moita tem um bando de gente copulando uma artezinha aqui, outra acolá. E olha que tem gente fértil deixando sua marca em cada lugar que eu não acreditaria.

Os velhos lugares ainda persistem, outros novos com cara de velho seguem enganando o mesmo público de sempre, e em meio a isso, ouço uma música ou outra com cara de lugar nenhum - essa é a dádiva. Já prometi mais de uma vez, quem sabe faça isso esse ano, e abra meu baú, contando de coração e com paixão, quem eu acho que é a diferença na cidade. Tem amigão meu que ficará surpreso por eu não citar sua banda, mas é a vida.

Será um levantamento realizado em parceria com dois elementos de quem gosto tanto que daria a vida por eles. Enquanto isso, que fique nas entrelinhas. Mas vai ter expoentes de todos os cantos, do Galleria (salve, salve) à Rodoviária.

Por isso, ainda é tempo, se você tem uma banda e não sabe o que fazer ocm a demo ou o CD ou se ninguém clica no link de vocês, essa é a chance. Eu clico. Manda aí.

Fui. Depois não vai dizer que foi preciso rumar pra Londres pra ser ouvido.

Inté.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

que bom, tenho leitores

Adoro isso.

Adoro quando escrevem comentários para os posts. E fazia tempo que não me divertia tanto. Tem de tudo.

misteriosos: "sou tua consciência...volte a escrever";

queridos: "lindo texto, um amor";

xingamento: "falar mal do caetano é coisa de hippie e jornalista enrustido".

Eu acho lindo. E nem é tanto pela máxima: "falem mal, mas falem de mim". Acho lindo porque tem gente lendo. E se continuam lendo e escrevendo comentários é porque um dia desses vou me tornar leitura fundamental. Aí fudeu. Aí o mundo acaba.

Mas leiam. Não desistam.

Sobre o Caetano, me divirto muito. Acho ótimo que ele exista, senão essa MPB com cara de world music fica sem graça - muito sem graça. Primeiro, não sou hippi, nunca usei sandália de couro, muito menos acho a Tropicália um movimento estético que abriu fronteiras. Quem abriu fronteiras foi o maestro Duprat. Sem ele a Tropicália não durava uma semana.

Numa entrevista recente, Chico César disse que depois de três décadas depois o movimento perdeu seu impacto:
– Hoje, Caetano Veloso é um popstar. Gilberto Gil é apenas um grande artista. E Gal Costa virou uma senhora que se dedica a cantar bossa nova. Para os artistas mais novos, os tropicalistas viraram obstáculos para que uma nova geração surgisse ainda nos anos 80. Eles projetam uma sombra que chega a ser constrangedora hoje – alfinetou o paraibano.

E mais, Tom Zé e Torquato se foderam com essa Máfia do Dendê (Gil, Caetano, Betânia e Gal). Ah, vai dizer que nunca ouviu falar da Máfia do Dendê? Então clica aqui e vocês terãoi uma breve idéia do que se trata.

O repórter investigativo Claudio Tonolli passou parte da vida pesquisando as ações desse grupo, incluindo o Caetano.

Mas se falar mal do Caetano fosse ranço de toda a classe de jornalistas, Caetano teria voltado para Londres. Sem lenço nem documento. Mas isso é só um filme de ficção, porque 96,9% da classe de jornalistas AMA e VENERA a caetanada e esse desbunde hippie - mesmo em 2006.

inté.

terça-feira, 28 de novembro de 2006

frase do dia

foto FOLHA IMAGEM


“Você quer vencer como escritor? Então escreva em inglês,
porque português, apesar de ser uma língua bonita,
ninguém entende e quem entende
não entende de mais porra nenhuma…”

Hilda Hilst (1930-2004)

ó, coitado


Caetano veste pele porque etá com medo da primavera outonal de POA

Roubaram o Caetano. Não. Roubaram os ingressos do Caetano. Não, seu burro. Roubaram os ingressos do show do Caetano.

Só pra não dizererem por aí que só vim pra esculhambar, segue a nota oficial da Opinião Produtora, responsável pela caetanada na Capital.

"A Opinião Produtora informa que um lote de ingressos antecipados para o show de Caetano Veloso – marcado para o próximo sábado, no Pepsi On Stage – foi extraviado no final de semana. Os bilhetes já foram anulados e não serão aceitos no dia do espetáculo. A orientação para o público é comprar entradas apenas nos pontos de venda oficiais – as lojas Nacional dos shoppings Iguatemi e Praia de Belas (das 14h às 22h) e a telentrega Opinião: (51) 3228-0576 (das 9h às 12h e das 14h às 18h). Os preços variam entre R$ 40 e R$ 120, com desconto de 10% para os cartões Nacional e Nacional Premium. Informações pelo telefone (51) 3299-0900 e no site www.opiniao.com.br."

Conselho de amigo, mande a merda. Não vá ao show. É "perca de tempo" como diz meu velho tio Barbosa. No mesmo dia tenho marcado um jantar.

Na verdade, é sopa de agnoline feita pela minha vó. Se quiser ir comer sopa me liga. Se preferir o show, boa sorte. A previsão é de chuva torrencial e Caetano estará de mau humor.

ô, zé, cita a fonte

José Geraldo Couto, da Folha de São Paulo, assim como MUGNOLINI, cita Peréio ao fim de seu texto sobre a mortre de Jece Valadão.

Pô, Zém cita aí a fonte, porque MUGNOLINI postou antes.

Leia aqui o comentário do Zé.

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

e agora, quem vai ser o canalha?

Abriu uma nova vaga no cinema brasileiro: de canalha. Com a morte há pouco, do ator, diretor, produtor, roteirista, machão, bêbado ressentido e amante arrependido, Jesse Valadão, o Brasil perde seu grande canalha. Deixa espalhados por aí, 6 ex-esposas, 9 filhos (sendo que 4 deles sequer assumiu a paternidade), outra penca de mulheres anônimas cujo dissabor foi a negação do amor.

Se bem que o velho e bom canalha Jece Valadão já tinha morrido há mais de 10 anos. Depois de conhecer Jesus, Jece largou aquela vida desregrada, o discurso de machão (nunca machista, como fazia questão de frisar), parou de fungar no cangote de qualquer mulher, parou de beber e passou a desprezar aquela penca de pornochanchadas da carreira.

– Nunca fiz pornochanchada, que é o sexo sem razão de ser. Fiz comédias urbanas eróticas baseadas na literatura. Não renego ou reprovo nada que fiz, mas não repetiria certas coisas. Bebia um litro de uísque numa sentada! O Jece Valadão morreu dez anos atrás e eu renasci espiritualmente – revelou ao jornalista Rodrigo Cardoso, em 2005.

Jece é daqueles que só foi feliz no cinema. O pouco de felicidade que teve, nos últimos anos, talvez tenha sido uma das etapas do purgatório ainda em vida. Nada mais do que isso.

O primeiro dos muitos filmes (segundo contas do próprio, entre ator, diretor e produtor foram mais de 100) foi Carnaval no Fogo (1949), de Watson Macedo. Em preto e branco, a trama misturava comédia e musical. O roteiro era de Anselmo Duarte e no elenco, artistas do quilate de José Lewgoy, Grande Otelo, Oscarito.

Jece, em "A Idade da Terra", de Glauber Rocha

No currículo, Jece podia se orgulhar de ter trabalho com alguns dos cineastas mais importantes do Brasil, como Glauber Rocha (A Idade da Terra), Nelson Pereira dos Santos (Rio 40 Graus, Rio Zona Norte e Boca de Ouro) e Ruy Guerra (Os Cafajestes).

Jece Valadão e Norma Benguel, em "Os Cafajestes", de Ruy Guerra

Jece desistiu da vida na tarde de hoje. Aos 76 anos. O coração do canalha parou às 17h20min. Algum canalha aí querendo ocupar a sua vaga? Agora, só nos resta o Paulo César Peréio, que além de canalha é o nosso eterno cafajeste.

É o fim, Jece.

Roda claquete. E manda subir os créditos.

zumzumzumzumzumzumzumzumzumzumzumzum

Ouvi por aí. Tem um zunido, um zumbido que anuncia um novo café lá pros lados da Estação.

Abre na sexta-feira, dia 1º.

Nas palavras do Rodrigo Lopes, três bons porquês de freqüentar o novo espaço:

Diferencial da casa 1: assim como em uma espécie de bazar, todo o acervo estará à venda: das cadeiras e mesas, passando pelos quadros, espelhos, luminárias, livros e objetos de decoração até os pratos e taças utilizados nas refeições. Gostou, levou!

Diferencial da casa 2: para maior conforto dos clientes e melhor atendimento, não será permitido que ninguém fique em pé.

Diferencial da casa 3: apenas música ambiente, com trilha selecionada a dedo (jazz, bossa, MPB contemporânea, chill-out, etno-lounge e down tempo).

tchó

– Eu faço os desenhos num papel quenem vocês tem em casa, às vezes até beeem pior que aquele que vocês tem em casa.

Iotti, explicando a um bando de crianças como ele desenha

terça-feira, 21 de novembro de 2006

poemeto sem nome

o beijo do velho não tira o verme do ventre; não devolve a lucidez às baratas em redemoinho lambendo a ferida; não varre pra longe a faca banhada em sangue; nem mesmo se vestisse o manto cândido das beatas puras e trancafiadas pelo amargo sorriso de deboche; nada, nunca o amor; não silencia as hienas famintas; nem mesmo se parasse de beber cachaça de mel à sombra das castanheiras; numa das mãos um cetro de madeira retorcida, na outra, três chifres de alce; amor é blasfêmia; desejo, o coice do alce e a mordida da hiena; nem por isso, o velho deixa de lamber as feridas; caquético, alterna os velhos versos da ira de Atenas com o sorriso de deboche do coisa-ruim vendo Caim e Abel duelando na favela; se o porre de quase morte vale um a vida, o velho tem mais sete pra nascer; tragado pelo dilúvio, cospe a bílis, jorram da boca também os dentes; a gagueira é só um subterfúgio; ensandecido de amor e ódio, amamenta a prole com um ruidoso tapa na cara; era só um caroço debaixo do silicone; nada grave, não fosse a morte; o beijo do velho não devolve a vida ao ventre.


foto de Steven Pinker

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

pra assistir sem alucinógeno


Falando em David Lynch. Vi ontem "Coração Selvagem" (Wild at Heart), produzido em 1990.

Nunca tinha visto e comprei no Zaffari. Ao invés de chá com bolacha, eu preferi Dadiv Lynch.
É um filme brilhante, com o despudor, a demência e a insanidade que só cabe na cabecinha do Lynch. Na trama, Sailor Ripley (Nicolas Cage) é um homem carente, que não teve pai nem mãe para cuidar da sua educação. Ele acaba se apaixonando por Lula Fortune (Laura Dern).

Até aí, nada demais. Mas não esqueça, é um filme do David Lynch.

Já na primeira seqüência, enquanto desce as escadas de um suntuoso teatro um homem tenta ferir Sailor com um canivete (aqueles de camelô, de apertar o botãozinho). Sailor reage e dá uma coça de fazer jorrar miolos. Talvez tenha sido o melhor espetáculo já visto naquele espaço.



que jaqueta, hein amigo?

O filme segue e além de paranóia e medo, Lynch imprime um tom delirante e fantástico. Se antes imaginava-se que Lula e Sailor eram dois desmiolados, à medida que passa o filme, temos a confirmação. E mais, Marietta Pace Fortune (Diane Ladd), mãe de Lula, deve ter sido amante do capeta em outra vida.

Em função da violência sem fim (seja psicológica ou mesmo física) é fácil deduzir que Quentin Tarantino viu e reviu o filme zilhões de vezes para escrever os roteiro de "Assassinos por Natureza" (dirigido por Oliver Stone) e "Pulp Fiction", ambos de 1994. Outro filme que bebeu na fonte é "Kalifornia", de Dominic Sena, produzido em 1993.

p.s.: tente achar Isabela Rosselini no filme.

muuuuuuu!!

Pra quem não conhece, esse é o David Lynch. O do lado da vaca, claro.

Como ninguém quer promover seu mais recente filme INLAND EMPIRE, Lynch resolveu sair pelos EUA com uma vaquinha a tiracolo.

Ana Maria Bahiana escreve, em seu blog:
"Armado de vaca, cadeira dobrável, um banner em que propõe a indicação de Laura Dern para melhor atriz e um cartaz em que diz "sem queijo não haveria um Inland Empire".

quase dez quase sem

Não é por acaso que lembro dessa canção dos cabaretianos. A música, entoada pelo demente Robi, vulgo Lappat, já embalou furtos de geladeira, traições e batismos.

Mas esse negócio de quase dez quase sem, anda tendo uma outra conotação em Buenos Aires. E não tem nada a ver com o Homem Bugio. É que faltam moedas no país. Tem padaria e banca de revista sem troco. Ônibus? Impossível de se andar, a menos que você tenha 80 centavos de peso.

Se é coisa rara dez centavos, imagina 80! O país, que anda sem orgulho, sobrevivendo feito zorilho, agora padece de falta de moedas. Se quiser mais detalhes, clique aqui.

sábado, 18 de novembro de 2006

moishe vende tudo

ó, recado do Moishe

moishe/ diz:
ateh se tu souber de alguem q queira comprar uma bateria pearl, um groovebox, uma elektribe ou uma caixa\amplificada....


se você se interessou envie mail pro Moishe
moimats@hotmail.com

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

é pro mugnolini

não dê bola...é um link pra mim mesmo. é que ando ruim da cabeça.

http://www2.uol.com.br/allansieber/filmes.htm

...e não foi em caxias....

Homem consegue colocar 116 uvas de uma vez na boca

Sydney, 17 (AE-AP) - Um americano conseguiu atirar 116 uvas na boca em apenas três minutos. Com o feito, ele espera entrar para o livro dos recordes, informou sua equipe de publicidade nesta sexta-feira.
Ao atingir a insólita meta, o texano Steve "Homem Uva" Spalding, de 44 anos, quebrou outro recorde pessoal ao usar a boca para pegar 1.203 uvas a uma distância de meio metro ao longo de meia hora. Não foi registrada a presença de oficiais do Guiness Book durante o feito de Spalding, realizado na Opera House, em Sidney, Austrália.
De acordo com assessores do "Homem Uva", o inusitado desafio gastronômico foi gravado e o material pode ser enviado para os responsáveis pelo livro dos recordes na esperança de conseguir registrar o recorde de velocidade e capacidade de armazenar uvas na boca.
Não existe essa categoria no livro.

asas de veludo

Eu vi.

Fui a Carlos Barbosa na véspera de feriado. Encarei, à trabalho (e como me divirto no meu trabalho) o Rock in Drio. Pra quem nãos abe é um festival de rock no interior da Serra Gaúcha realizado desde 1993. Isso mesmo, pode ficar com inveja. E mais, os caras abrem espaço para muitas bandas barbosenses. Pra encerrar, teve Locomotores e Pata de Elefante. Mas não fiquei para vê-las. Porque eu já tinha todo material de que precisava pra reportagem que será publicada sábado.

O melhor do festival foi a banda Asas de Veludo, de Carlos Barbosa. Uma boa noise nonsense e alucinada. São três os integrantes: Eduardo Bavaresco, 23 (vocal e guitarra); Jérson Armani, 27 (baixo); e Rudimar Weschenfelder, 28 (bateria). Mas, na real, o líder é o Eduardo. Ele é obcecado pela artista plástica Lígia Clark.

– Nossa música é agressiva porque é assim que vemos o mundo – explica Eduardo.

Quem é dono de bar precisa urgentemente levar essa banda pra tocar. É um show incendiário na certa.

Fotos da banda no Almanaque desse final de semana.

terça-feira, 14 de novembro de 2006

baú de memórias do tio valter *

O tio Valter não teve carro. Mas conhecia todos os carros que via. Quanto mais velhos, melhor. Nunca teve o prazer de cruzar a Rota 66 num Cadilac conversível. Tampouco assistiu western em drive in. Jamais pensou em fugir de casa e virar piloto de alguma dessas máquinas velozes. Nem virou policial para perseguir bandidos e foras da lei. Tio Valter sempre foi de carona.

Num dia desses, depois de uns meses de insistência, eu e a Pati levamos o tio Valter no Museu do Automóvel, em Canoas. O importante não era só chegar lá e ver os carros antigos. O prazer do tio Valter era andar de carro. Sentado no banco de trás, com o cinto de segurança bem apertado, falava de tudo o que tinha mudado entre Porto Alegre e Canoas. Jorrava imagens do baú de memórias do Tio Valter.

O carro deslizando sobre o asfalto quente do meio-dia não era tão rápido quanto o passado que o tio Valter reconstruía. Tio Valter tinha o pé no passado. Tinha muita saudade. Não só dos lugares que mudaram, não só do glamour dos anos 40 e 50. Tio Valter sentia saudade das pessoas com quem conviveu. Em cada recordação citava os personagens mais importantes. Todos tinham nome e sobrenome. Não raro, tio Valter citava até a roupa que as pessoas vestiam na ocasião.

Tio Valter tinha saudades até das pessoas com as quais não conviveu. Sabia tudo sobre a vida das divas do cinema americano. Tio Valter, ensinou assim, mesmo sem querer, que o baú de memórias é a melhor parte da vida. Não só para alimentar boas conversas de bar. Porque quem tem histórias para contar vira o protagonista de em qualquer lugar. Mas sempre que abriu esse baú, me senti mais próximo do tio Valter.

Porque não nasci tendo o tio Valter do meu lado. Ele foi daqueles parentes que a gente chama de emprestado. Não é de sangue. Mas depois de ouvir tantas histórias e me sentir dentro delas, passei a ocupei um espaço importante no baú de memórias do tio Valter. Nada mais justo, então, que ele passe a habitar as minhas memórias. Tudo será passado a partir de hoje. Mas um passado tão vivo e inquieto como sempre foi o tio Valter.

* crônica de hoje do jornal Pioneiro

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

programa de domingo


ó, bebeum.

Vai curar a ressaca de sábado rindo e bebendo mais cerveja no Estádio Municipal. Domingo rola a 2ª edição do Revival Rock Gol.

Na disputa trocentas bandas, um bando de pé de chinelo e meia dúzia de craques.

No time dos ruins de bola, Esqueleto, que fez 32 anos dia 8 último. O Esqueleto é do tempo em que as camisetas de futebol eram de malha, os calções eram justinhos, não se usava caneleira e o Cafuringa era artilheiro.

ó, leva um quilo de alimento, viu?

no mínimo, curioso

Pode ser que não dê em nada. Pode ser que o filme vire fracasso e tudo volte a ser como sempre. Mas, de quando em vez (como diz meu vô) é bom sacudir as moscas ovulando na nossa pele.

Já saiu por aí na internet, mas nada melhor do que a fonte primária. Antes de masi nada anotem aí o endereço: www.paradisebrazil.com

Nesse site tem todas as informações possíveis sobre o filme 'Turistas', de John Stockwell, que deve estrear nos EUA dia 1º de dezembro.

O enredo é mais ou menos o seguinte: seis jovens americanos se divertem numa das paradisíacasa praias brasileiras. Até aí, nada demais. No entanto, as coisas melhoram (para deleite dos amantes dos filmes trash) quando esses idiotas são abordados com violência pelas gangues Brasileiras. É, tipo, "o horror do mundo selvagem é aqui".

Diz o trailer: 'Num país onde vale tudo, tudo pode acontecer'.

Óbvio que jorra estereótipo por todo lado, óbvio que é um filme imbecil, óbvio que é só um recorte do Brasil, e mais, do pior do Brasil, óbvio ululante ao cubo. Mas isso é tambpem só uma das facetas de Hollywood.

'Turistas' é só o primeiro longa-metragem da Fox Atomic, divisão da Fox Films para o público de 17 a 24 anos. Só o primeiro. Depois virão outros bem piores. Espero que venha logo um sobre casais poligâmicos adeptos do nudismo que mandam no jogo do bicho e começam a desbancar os traficantes dos morros cariocas. Tudo com muito sexo, de preferência interracial.

Para a Embratur, o filme não vai atrapalhar a boa imagem do nosso turismo (sic): "Os espectadores são inteligentes o suficiente para discernir a ficção da realidade", diz a presidente Jeanine Pires.

Em tempo: o site tem o link de um blog que é muito mais interessante do que o filme. Mesmo sem ter visto o filme, confirmo.

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

ó, menezes, pra ti

NOTÍCIA: O cantor João Gilberto, 75 anos, descobriu recentemente que é pai de uma menina de dois anos, segundo informações do colunista Ancelmo Gois do jornal O Globo. A menina é fruto de uma relação do músico da MPB com uma fã carioca. João Gilberto já é pai da cantora Bebel Gilberto, 40, fruto de seu relacionamento com Miúcha.


Ou melhor seria, fofoca.

Sabe qual o legado que prevejo para essa doce menina? Espero (e rezarei por isso) que a menina cresça e fique com toda a herança do velho pai. Aí ela quebra todos os violões e depois pinta nos muros da casa velha: "Velho mala!".

Tudo isso será gravado e virará o clipe de uma das músicas de uma banda barulhenta liderada pela doce menina, fruto de uma foda de camarim.

E, pra encerrar, lá do céu ecoarão risadas maldosas do Nelson Rodrigues.

voltei - e raivoso

terça-feira, 29 de agosto de 2006

estranho

Tão estranho ouvir Homem Bugio. Tão estranho. O gravão ainda ressoa de um jeito que arrepia.

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

foto do dia

Pra todo mundo que lembra da infância com certo encanto e cagava nas calças depois de um peido lindo. Aí papai ou mamãe batiam na bundinha e lá vinha o beiço e só depois a choradeira.

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

ô de casa

E vai ter baile com Adelar Bertussi, sábado, no Paiol. Acabo de falar com a figuraça. Entre outras coisas, disse:

- Nesse novo milênio tá se dando valor aos destques do século passado.

Só pra animar a noite....canta aí: "Ô de casa..."

classificados

Alguém aí a fim de compar a guitarra do Pubby Star, da Ligante Anfetamnínico. Ó, vale ouro a guita que já esteve no mesmo palco de gente como Os Replicantes.

Informações técnicas:
Guitarra Cort Viva Gold
Três capatores sendo dois duplos...
E micro-afinação...
Tá precisando só dar uma reguladinha

Preço: R$ 700,00

Lances podem ser feitos no mail: mpubby@hotmail.com

terça-feira, 22 de agosto de 2006

filosofia

Pensar não é como cagar.
Ou é?

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

curtas em 35mm

Análise GERAL nua e crua dos melhores, segundo crítica, júri popular e júri oficial

Alguma Coisa Assim já é um título deprimente. Mas pior é assistir ao filme. Coisa meio MTV, com as cores e o "movimento" de um videoclipe. Pra piorar o cara ainda ganha o Kikito de melhor diretor. Prêmios coerentes para Manual para Atropelar Cachorro, No Princípio era o Verbo e melhor ator para Paulo Vespúcio.

CURTAS 35MM
Melhor filme: Alguma Coisa Assim (SP), de Esmir Filho
Diretor: Esmir Filho (Alguma Coisa Assim)
Ator: Paulo Vespúcio (Fúria, RJ)
Atriz: Caroline Abras (Alguma Coisa Assim)
Roteiro: Virginia Jorge (No Princípio Era o Verbo, BA)
Prêmio Especial do Júri: No Princípio Era o Verbo, de Virginia Jorge
Júri Popular: Manual para Atropelar Cachorro (RJ), de Rafael Primo
Prêmio da Crítica: Manual para Atropelar Cachorro
Prêmio Aquisição Canal Brasil: Manual para Atropelar Cachorro, de Rafael Primo e No Principio Era o Verbo, de Virginia Jorge

longas latinos

Análise GERAL nua e crua dos melhores, segundo crítica, júri popular e júri oficial

Incrivelmente o júri dos latinos foi mais coerente do que o dos brazucas. Incrível nada. É que a presidente do júri dos brazucas era a Tikuza. Enquanto isso, do lado dos latinos o presidente era o Ruy Guerra. Acho que só isso explica as boas escolhas de um lado e as péssimas de outro.

Em breve El Violin num cinema perto de você (sic). Isso se você mora em SP, RJ ou em POA. Porque em Caxias....só em DVD. Mezcal ainda não tem previsão de exibição no Brasil.

LONGAS LATINOS
Melhor filme: El Violin (México), de Francisco Vargas Quevedo
Diretor: Ignácio Ortiz Cruz (Mezcal, México)
Ator: Don Angel Tavira (El Violin)
Atriz: Maria Onetto, Eva Bianco, Mara Santucho e María Pesack (Cuatro Mujeres Descalzas, Argentina)
Roteiro: Francisco Vargas Quevedo (El Violin)
Prêmio Especial do Júri: Mezcal, de Ignácio Ortiz Cruz
Júri Popular: El Violin
Prêmio da Crítica: El Violin

longas brasileiros

Análise nua e crua dos melhores, segundo crítica, júri popular e júri oficial.

Premiados
LONGAS BRASILEIROS


Melhor filme: Anjos do Sol, de Rudi Lagemann, e Serras da Desordem, de Andrea Tonacci
Por birra, incompetência e cagonisse o júri premiou os dois.

Diretor: Andrea Tonacci (Serras da Desordem)
O diretor mais ousado, buscou o risco do início ao fim dos 135 minutos de filme. O resultado é uma chatisse, mas pelo menos ele tentou.

Ator: Antônio Calloni (Anjos do Sol)
O mais marvado do festival. Mereceu cada fio de cabelo do Kikito.

Atriz: Mel Lisboa (Sonhos e Desejos)
Linda nua; vestida sem graça.

Roteiro: Rudi Lagemann (Anjos do Sol)
Uma afronta a todos os roteiristas do país.

Ator Coadjuvante: Otávio Augusto (Anjos do Sol)
Os marvados sempre vencem.

Atriz Coadjuvante: Mary Sheila (Anjos do Sol)
Tapa de luva, mostra que mesmo feia tem talento.

Fotografia: Aloysio Raulino e Alziro Barbosa (Serras da Desordem)
Em meio ao caos do filme boas imagens são impregnadas à tela.

Montagem: Léo Alves, Felipe Lacerda e Rudi Lagemann (Anjos do Sol)
Duas piadas na mesma noite. Parece filme com Ary Toledo.

Direção de Arte: Oswaldo Eduardo Lioi (Sonhos e Desejos)
hahahahahahahaha. O pior filme dos última década em Gramado. Mas tudo bem, fusquinhas e fardas dos milicos dos anos 60 sempre são ícones.

Música: Dado Villa-Lobos (Pro Dia Nascer Feliz)
Merecido. Faz bem à carreira de Dado o distanciamento da Legião.

Prêmio Especial do Júri: Pro Dia Nascer Feliz, de João Jardim
Aqui o júri assumiu que errou e tentou consertar o estrago dando a Jardim o merecido prêmio.

Júri Popular: Pro Dia Nascer Feliz
Prêmio da Crítica: Pro Dia Nascer Feliz
Duas análises numa só: estranho como crítica e júri popular pensam da mesma forma. Ou melhor, como o júri oficial é tão dissonante da crítica e júri popular. Kikito pra crítica e júri popular e vaia pro júri oficial.

the end

This is the end, my only friend, the end.

Cantarolando essa canção fui dormir pensando na morte da bezerra. Sonhei com Kikitos gigantes invadindo Gramado e farejando os jurados do Festival. No sonho, os Kikitos estavam revoltados porque achavam desprestígio caírem nos braços de gente desinteressante. E mais, achavam injusto a Tizuka ser a presidente de um júri que fez tudo errado.

Enquanto a crítica e os jurados populares premiaram o documentário brasileiro "Pro Dia Nascer Feliz", o curta "Manual para Atropelar Cachorro" e o longa latino "El Violin". Enquanto isso, a turma da Tizuka só bola fora.

Bom mesmo foi que Tizuka trouxe a Serra o rebento Naina Tie, de 17 aninhos. A guria viu todos os filmes, participou dos debates, foi no encontro dos roteiristas. A garota anda ensinando muita coisa a mãe, já engessada pelo tempo.

Enquanto isso, lá do céu Jim Morrison manda maus presságios para todos os maus jurados.

Todos juntos: This is the end, my only friend, the end.

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

enquete

Tá rolando a enquete mugnolini...

Responda aí qual artista você gostaria de ver clicado ao lado do Mugnolini.

Não tem opções. Invente a sua.
Cardoso diz:
muito bom o blog, cara

Cardoso diz:
curti a cobertura que tu fez

Mugnolini diz:
grácias hermano

Mugnolini diz:
mas eu to relapso, escrevi pouco e não fiz foto nenhuma

Mugnolini diz:
é que vim pelo jornal tb e me pedem a toda hora: quem chegou?

Mugnolini diz:
e eu só respondo: Eva Wilma

Mugnolini diz:
a velha devia ter uma estátua aqui pra não precisar vir mais a Gramado

diálogo

- Quem é aquele ali ó?
- Quem?
- O que tá dando autógrafos...
- Ah, um carinha da Malhação...

vencedor moral

Infelizmente "Wood & Stock - Sexo, Orégano e Rock'n'roll" não entrou na mostra competitiva de longas-metragens brasileiros.

O filme, exibido na noite de quinta-feira, foi o mais aplaudido. É engraçado, crítico, satírico, cheio de referências inteligentes e tem o Tom Zé fazendo a voz de Raulzito que aparece dentro do copo de cerveja do Stock.

Como diria Nelson Rodrigues, "Wood & Stock - Sexo, Orégano e Rock'n'roll" é o campeão moral do festival.

frase de ontem

"Se o caráter estivesse numa roupa estaria numa farda"
(mãe de uma travesti morta no massacre da Baixada Fluminense em 2005, protagonizado por policiais militares cariocas)

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

autista

Talvez eu seja o único ser humano bípede, e infelizmente sem asas, que não tem nenhuma foto ao lado de um famoso.

Até o final do festival prometo acabar com esse dilema.

hoje

O assunto mais importante nos corredores e ruelas de Gramado é vitória, sem derramamento de sangue, do Inter.

Mas o importante é que o Caxias segue firme e forte projetando o Gaúcho 2007.

whiskie

Ou seria uísque. Não sei.

Só sei dizer que o José de Abreu não vive sem.

Ele é "o cara", porque pode até ir pra casa (hotel-festa-hotel) com o copo de whiskie. Copo de vidro, com gelo.

recado

Anota aí. Logo em breve Junior Lima, da dupla Sandy & Junior vai dirigir um longa-metragem com o amiguinho dele, o Fernando Andrade. A Sandy dá a maior força...

Algo como...vai guri...vai...e te some.

Ou vocês acham que não tem maldade no corpinho da Sandy. Maldade é como ponto G, todo mundo tem, meso que esconda.

papo de corredor

– Teu cabelo é assim mesmo ou você faz chapinha?
– Fiz chapinha, né? Mas essa umidade estraga tudo...um horror!

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

foto paga-vale

Foto by JEFFERSON BOTEGA

paga-vale

Acabo de retirar meu paga-vale. Acabo de retirar um tíki que me dá acesso a exibição do clipe da dupla Sandy & Junior. E pior, o mesmo tíki dá acesso a uma coletiva que ocorre logo após o clipe.

Os dois não vem sozinhos, chegarão com os pas numa linda e brega limousine branca. Caipira sempre caipira, com ou sem dinheiro.

O "chiquê" da história é que eles vão embora de jatinho pra Sandy não perder a de aula amanhã de manhã na faculdade.

Por essas e outras, prefiro a Wanessa Camargo.

terça-feira, 15 de agosto de 2006

mezcal

Nunca. Aliás, AINDA não bebi mezcal, mas gostei do que vi na tela.

“Mezcal”, filme mexicano de Ignacio Ortiz Cruz, deixou a sensação de “quero provar”. Um bando de lunáticos passa o tempo todo bebendo mezcal “para acalentar a dor da alma”. Acho isso brilhante. Tenho feito isso a vida toda ouvindo Portishead. E ouço mesmo quando não estou triste, como é o caso do atual momento da minha vida. Mas acho que só a tristeza e o sofrimento são capazes de criar obras de arte incrivelmente lindas.

“Mezcal” é isso. Dor em doses cavalares e copos cheios de lucidez. Tem um quê de Fellini misturado a Buñuel, mas as comparações param no segundo copo.
Assista sem moderação, isso se um dia chegar numa locadora brasileira. Porque em cinema...

koyaanisqatsi brazuca

Dizem que os índios lá de riba do mundo deram agora pra influenciar os índios daqui de baixo. É coisa da globalização. Pois foi essa a sensação que tive ao assistir "Serras da Desordem" ontem no Palácio dos Festivais.

A sinopse resumida: Um índio foge de uma emboscada e perde-se da sua tribo. Fica vagando 10 anos e então é reintegrado aos seus pares.

Até aí nada demais. A não ser a reclamação de Zuzuwah, um dos integrantes da banda Coletivo Shangai.

- Isso me cheira a cópia do roteiro do Coletivo hein!?! Pega o nome do cara que vou PROCESSAR.

Well, de resto o filme é um emaranhado de zilhões de cenas que preenchem 135 minutos da vida. A edição lança na tela tudoemaisumpoucojáagoraaquitambémpradizerqueomundoéontem.

Sério.

Parece confuso, mas é verdade.

Eu que nunca gostei do "Koyaanisqatsi", não curti "Serras da Desordem".

E tenho dito.

O resto tá na Invertebrado, quando escrevi sorbe "Koyaanisqatsi".

oremos

Explico melhor o oremos.

Oremos para que o filme não avacalhe ainda mais com a Santa. Porque a primeira versão de "Nossa Senhora de Caravaggio - O Filme" exibida em 2005 em Gramado (fora de competição) assustou santos de todas as querências.

cara de pau

Adivinha quem circula por Gramado? (sic)

Sim, ele mesmo Fábio Barreto. O diretor veio desesperadamente atrás de fundos pra terminar o interminável "Nossa Senhora de Caravaggio - O Filme".

Como se fosse uma criança mal-criada tomou um puxão de orelha do padrinho, o Germano Rigotto, que por acaso é o governador.

O dindo quer o filme terminado logo!

Barreto deu de ombros e promete até novembro.

Oremos.

a lista (breve)

Só pra não dizer que sou queridinho demias aí segue uma breve lista das "estrelas" que mencionei na nota anterior:

Rocco Pitanga
Lucia Veríssimo
Luciano Szafir
Paula Burlamaqui

mal-estar

É foda. Pobre do Antônio Fagundes...

Vocês tinham de ver a cara do Fagundes quando o prefeito de Gramado sugeriu que outras "estrelas" (aquele bando de gente que só faz novela tipo C) ficassem ao seu lado.

O cara vem a Gramado depois de 20 anos longe daqui pra receber o Oscarito, o prêmio mais pop do país, e ainda por cima aplicam dessas pra ele?

Tem mais que ficar outros 20 anos sem vir.

tapete molhado

Choveu a noite toda da estréia. O tapete lustro ficou enxarcado. É a fúria dos deuses (sic). Foram trancafiar o Kikito, deu no que deu. Pobre do maestro da orquestra da Ospa. Por pouco uma grande goteira não caiu certinho na sua cabeça.

Mesmo com a chuva fininha a penca de artistas-papagaio-de-pirata que surge em Gramado a cada fim de inverno posou pra fotos em frente ao Palácio dos Festivais.

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

agora chuva

Só pra melhorar as coisas agora chove.

domingo, 13 de agosto de 2006

cidade nua

Primeiro dia em Gramado. Amanhã começa mais uma edição do Festival de Gramado - Cinema Brasileiro e Latino. Por ora nada além de gente terminando os últimos detalhes. Nada de novo, o mesmo tapete vermelho já surrado pelo tempo.

Novidade só o Kikito. Ou melhor a maneira coomo o Kikito está à mostra. Nesse ano o Kikito tá enjaulado dentro de uma esfera. Parece acuado, com vergonha de levar nas costas o peso da chacota. Também pudera, é difícil pra esse deus seguir sorrindo com tanta gente fazendo tanta merda e no final das contas restar o velho Kikito pra salvar o Festival.

Agora são 21h58min. Cidade nua. Assim como em 2005, Gramado silencia na estréa do Festival de Cinema. Antes silenciosa do que ruidosa de gente sem importância querendo levar vantagem nas costas de quem respira cinema.

Que Alá e todos os outros deuses nos protejam.

quarta-feira, 26 de julho de 2006

muito além do inferno

Numa dessas noites arrastadas de tédio vi a cena mais delirante e demente. Antes disso, conto porque divagava dentro da noite veloz sem pudor nem asco, desfrutando do azedume impregnado nas calçadas do centro da cidade.
Ontem ainda cedo, saindo de casa fui atropelado e lançado do outro lado da calçada. Ainda zureta da porrada na orelha levantei e sacudi a poeira. Não contente, o motorista tascou spray de pimenta nos meus olhos. Óbvio, caí de maduro. É sério, vó, não faz essa cara de desconfiada. Durante um tempo não vi nada, só ouvi. Entre sirenes, tinha gente paranóica gritando: "Mata esse safado, deve ser ladrão"; outros complacentes, balbuciavam: "Ajuda o menino, chama a ambulância". E veio, zunindo.
Não me perguntaram nada. Arregaçaram a manga da minha camisa de flanela florida e cravaram a agulha na primeira veia que encontraram. Adormeci. Fui acordado com um tapa carinhoso que quase me derrubou da maca. A enfermeira, ranzinza, olhos esbugalhados e fumando, resmungou: "Te arranca, guri". Saí de mansinho e mancando.
Já passava das 16h. Morrendo de fome resolvi entrar na primeira biboca que apareceu. Bar do Lorival. Ambiente requintado, prato-feito por seis pila e compacto de Flamengo e Vasco na tevê. "Vai beber o que, patrão?". Qual é a ceva mais barata?, retruquei. "Só tenho das mais barata". Então, escolhe a mais gelada. Conversa vai, conversa vem. Acabei me estendendo. Saí do recinto depois da novela das nove.
Atravessando a Praça Dante Alighieri, presenciei a cena lírica e louca. Lembra da musa Anita Ekberg banhando-se na Fontana di Trevi, no filme La Dolce Vita, de Fellini? Pois bem. Troque os personagens e o cenário. No lugar da Anita coloque uma velha caquética rolando dentro do chafariz da Praça Dante. E o pior, assim que me viu, a coroca gritou: "Vem Mugnolini, vem".
E fui pra casa correndo rever Anita.

Conto de hoje publicado no jornal Pioneiro.

domingo, 23 de julho de 2006

curta 1

Quer aparecer de figurante no curta-metragem Quem é Tony? A primeira cena é a simulação de uma festa e será gravada dia 29, no Zarabatana Café.
A seleção do elenco está sendo feita essa semana. Ficou interessado? Liga aí: 9122.5230.

celebridades

Enquanto Esqueletóvski, o vocalista da Ligante Anfetamínico passeava com a sua herdeira, domingo a tarde, no Parque dos Macaquinhos, Fabrizzio, o vocalista da Cabaret Hitec aportava em Barcelona. Perdido nas ruelas de Barça, Fabrizzio não sabia onde dormir.

música de hoje

O Velho e o Moço
(Rodrigo Amarante)

Deixo tudo assim.
Não me importo em ver a idade em mim,
ouço o que convém. Eu gosto é do gasto.

Sei do incômodo e ela tem razão
quando vem dizer que eu preciso sim
de todo o cuidado.

E se eu fosse o primeiro a voltar
pra mudar o que eu fiz,
quem então agora eu seria?

Tanto faz que o que não foi não é.
Eu sei que ainda vou voltar... mas eu quem será?

Deixo tudo assim, não me acanho em ver
vaidade em mim. Eu digo o que condiz.
Eu gosto é do estrago.

Sei do escândalo e eles têm razão
quando vêm dizer que eu não sei medir
nem tempo e nem medo.

E se eu for o primeiro a prever e
poder desistir do que for dar errado?

Ah, ora, se não sou eu quem mais vai decidir o que é bom pra mim?
Dispenso a previsão!

Ah, se o que eu sou é também
o que eu escolhi ser aceito a condição.

Vou levando assim
que o acaso é amigo do meu coração
quando fala comigo, quando eu sei ouvir...

quarta-feira, 19 de julho de 2006

ralo adentro

Estão por toda parte. São muitos, muitas vezes muitos, muito mais do que a gente pode imaginar.
Paulo Leminski, em De Frente pra Luz, do livro Gozo Fabuloso.
Inverno. Neblina. Solitude de uma manhã desafinada. Casaco, toca e meia furada. Sem nada pra fazer saí de casa pra continuar sem nada pra fazer. Não fosse o tango arrastado, melancólico e um tanto apassionato, teria congelado de frio.

Gosto desse cheiro de cidade imunda. Gosto de ver gente tresloucada esfregando as feridas nas vitrines das lojas glamourosas. Tudo fede e, por isso, alucina. Não fosse assim, teria me mudado pro interior do interior pra plantar arbustos carnívoros. Mas sigo aqui, reinventando velhas histórias que meu avô contava pro boi dormir.

Não tem vista melhor do que o rebuliço de meia dúzia de cachorros sem dono lambendo o asfalto molhado e revirando o lixo da segunda-feira. Entre latidos e bengaladas pra afastar a cachorrada duas senhoras atravessam a rua de braços entrelaçados. Logo são tragadas pela neblina. Quem sabe mais a frente sejam expurgadas e reapareçam. Sinceramente, espero que não.

O primeiro ônibus da manhã larga uma revoada de gente sem dente. Todos cristalizados pela apatia do verso que nunca saiu do papel. Um só do bando fica plantado na encruzilhada. Conheço a figura. Não sei o nome, a profissão ou a origem, mas sei do paradeiro. Aquele velho boteco esquecido no meio do nada. Entra de mansinho e senta no terceiro banco. Não fala nada e logo acomoda a angústia com dois copinhos de uma bebida incolor.

Cruzo de uma rua para outra através de uma galeria escura e decadente. Um lunático grita o nome de Deus em vão. Veste terno escuro e gravata esguia. Tem uma cicatriz grotesca que corta parte a boca e termina no pescoço. De longe, se parece com Tom Yorke. Quem sabe com uma guitarra em punho e trocando os nomes dos personagens que cita à toa não fizesse mais sucesso.
É por causa dessa gente demente que tenho o prazer de acordar e sair por aí assobiando e chutando latinha de cerveja amassada. Não me importo mais com nada, nem com aquele hippie que todos os dias entoa os cânticos de Zé Ramalho. Porque a dádiva é o perfume da decomposição. Tempo que se esvai ralo adentro. E todos, sem exceção, só serão felizes na esquizofrenia.
Né, Leminski?

quinta-feira, 13 de julho de 2006

lírios cravados em terra seca

Para ler ouvindo Cocoon,
do CD Vespertine,
da Björk

Silêncio. A casa velha de madeira cravada no meio do nada amanhece mais uma vez. O sol lava as paredes umedecidas de orvalho. Como uma criança, Genaro desperta. No quarto não há quase nada - como nunca houve quase ninguém na sua vida. Uma cama, um armário sem portas e um livro jogado no chão, sem capa.

Genaro arrasta os pés pela casa. O assoalho rangendo acorda os gatos. Todos albinos e mal acostumados. Só bebem leite sentados à mesa. Gostam de leite ainda cedinho da manhã e ao entardecer.

Música à tarde, quando assistem ao coro das meninas cantando e correndo pelo pátio. Genaro prefere o canto triste e sussurrado de Marina. A menina de olhos cor de mel e cabelos negros e encaracolados passa as tardes andando de balanço e cantando sozinha.

A melodia impiedosa atravessa a sola dos pés sem pedir licença. E não adianta lamber o freezer da geladeira, nem coçar a frieira com o garfo. Não é simples assim para acabar com a agonia. Não encerra com veneno. Porque nada mata a lesma para sempre. Quando você menos esperar terá uma à sua espera embaixo do travesseiro. É só uma questão de tempo.

Genaro sonha acordado. Relembra do quase amor, mas logo a cena desaparece. Vem com força o tapa na cara. E o não. Pior que desamor. Abandono. Laura sumiu. Deixou as chagas e o desencanto. Genaro virou um velho moribundo desde os 20 e poucos anos.

- E o senhor nunca foi atrás dela?

Genaro esquiva-se e sorri. Sentado na escadaria da velha casa de madeira, roça o pé no assoalho riscado, suspira e seca algumas lágrimas com a manga da camisa. Apóia-se nos joelhos e levanta. Bate as botas cheias de barro e, antes de entrar em casa, fita Marina.

Mesmo infeliz e definhando busca no canto da menina o último resquício de vida. Genaro sabe que Laura voltará. Mas só depois da remoída ida. Só voltará para cravar as flores de lírios na terra seca.

Conto publicado nesta quarta-feira no Pioneiro.

quinta-feira, 29 de junho de 2006

silêncio e dor

Foto de Jefferson Botega (www.jeffebotega.blogger.com.br)

Onde? Vaguidão. Quem? Solidão. Por quê? Não sei. Sinto que esse olhar tudo vê. E me condena. Me joga na cara o pavor do abandono. À deriva, empresta à paisagem de Ausentes um pouco de melancolia. Suspiro. Fecho os olhos e essa imagem não cala. Não cessa essa inquietude. Permanece o delírio desse olhar cândido pedindo clemência. Morte da infância de uma menina severina. E o resto se foi. Silêncio e dor.

"Material" colhido em São José dos Ausentes durante a viagem do Nordeste Gaúcho, no inverno de 2005. Texto do Mugnolini.

clipado

Sabe o Michel Gondry, né?
Pois bem, o cara vai dirigir mais um clipe do Beck. A música escolhida é Cell Phone's Dead. Em 1997 Gondry fez o clipe de Deadweight, que foi parar na trilha sonora de A Life Less Ordinary.

Gondry é figurinha fácil em shows de gente como Björk, White Stripes e Chemical Brothers, entre otros. Não à toa dirige clipes pra essa gente.

segunda-feira, 26 de junho de 2006

Thereza

Beijo no asfalto molhado. Nada de Nelson. Tudo sobre Thereza.

É noite. Inverno. Mais uma noite sem ninguém servindo a sopa de Thereza. Quase morta. Que nada, quase grávida. Leva no ventre o filho que não veio nem depois da velhice. As mãos trêmulas e macias como um pedaço de seda, mas flácidas e rugosas. O medo já não assusta mais e a vertigem Thereza trata com um genérico de quinta rifado em balaios.

Nas madrugadas mais geladas levanta-se da cama e sorve um palheiro. Abre as janelas e deixa o vento cortar-lhe a face. O palheiro acalma a ansiedade e dribla o frio, mas Thereza odeia o cheiro. Depois de uma ou duas baforidas gospe o gosto de fumo forte e palha seca impregnado à boca. Pra encerrar o ritual invernal toma uma banho gelado na bica. Depois do banho, bebe dois goles de vinho bordô e cai na cama.

quarta-feira, 21 de junho de 2006

música de hoje


Samba do Arnesto*, de Adoniran Barbosa

O Arnesto nos convidô prum samba, ele mora no brás
Nóis fumo e não encontremos ninguém
Nóis vortemo cuma baita duma reiva
Da outra veiz nóis num vai mais
Nóis não semos tatu!
Outro dia encontremo com o Arnesto
Que pidiu descurpa mais nóis não aceitemos
Isso não se faz, Arnesto, nóis não se importa
Mais você devia ter ponhado um recado na porta
Anssim: "ói, turma, num deu prá esperá"
A vez que isso num tem importância, num faz má
Depois que nóis vai, depois que nóis vorta
Assinado em cruz porque não sei escrever Arnesto

* É possível encontrar a música também como "Samba do Ernesto".

seu genaro se foi

Nunca entendi de onde vêm os sussurros das crianças adormecidas. Nunca entendi por quem choram. Jogadas na cama e entregues ao desconhecido, não sabem sequer se estão dormindo ou sobrevivem num estado letárgico, envolvidas num plasma de membrana invisível.

Há 10 anos não durmo. Não fecho os olhos sob condição nenhuma. Durante o dia, reviro gavetas, empilho bugigangas, varro o pátio, almoço com os pássaros. À noite, janto com os abutres, corro atrás dos gatos albinos, chuto garrafas no pátio. Alivio a ansiedade bebendo gim. Sempre puro, às vezes com gelo. Nem sempre uso copo, prefiro o gargalo.

Dona Alzira insiste. Não passa um só dia sem me lançar um olhar. Ela acredita no seu poder de sedução. Veste sempre um longo vestido florido e decotado. Só me sinto atraído pelos seios enormes e caídos, típicos de uma velha ama de leite. Alzira mora numa casa de madeira, verde e apodrecida pelo tempo. Nunca entrei por medo de não sair vivo. Pobre coitada, dizem ainda é virgem.

Entre uma piscada e outra, dentro da madrugada veloz, respiro. Prefiro a escuridão da noite, sem luzes, nem ruído. O silêncio acalma o turbilhão de desencontros neurais, entorpece a memória, afeta a lucidez do pensamento. Esculhamba. Causa dor e me faz gritar por piedade. RISOS.... Acho tudo isso tão engraçado. Porque assim que o sol se põe diante da janela da sala tudo passa. É como se eu sempre soubesse lidar com as falhas do meu inconsciente e a insanidade da consciência.

– Já pra jaula, Genaro.

E fui.

quinta-feira, 15 de junho de 2006

outro dia quem sabe

Tão incerto quanto amanhecer de olhos abertos. Tão fugaz quanto um verso impiedoso, que atravessa a sola dos pés sem pedir licença. E não adianta lamber o freezer da geladeira, nem coçar a frieira com o garfo. Não é simples assim para acabar com a agonia. Não encerra com veneno. Porque nada mata a lesma pra sempre. Quando você menos esperar, terá uma à sua espera, embaixo do travesseiro.

quarta-feira, 14 de junho de 2006

viva lutero

E tem gente que ainda manda se foder o Martinho Lutero. Olha só, enquanto os padres brasileiros censuraram, em abril, obra de arte que estava em exposição no Centro Cultural do Banco do Brasil (RJ), as "santidades" alemães nem deram bola para a série Desenhando em Terços, da artista plástica Márcia X (1959-2005).

O desenho fica exposto até 9 de julho na Galeria Weisser Elefant, integrado a mostra Brasil + Berlin – Arte Contemporânea Brasileira em Berlim. Se você for a Alemanha, confira de perto a obra. Mas se preferir seguir sentado e pulando de site em site, clica em http://marciax.uol.com.br

o texto vem mais tarde

calmaria

Para ler ouvindo Born Stubborn, do CD Roots do Sepultura

Hoje só tenho ouvidos pra pancadaria. Guitarreira rasgada, tosca, ensurdecedoramente suja. É tão bom, dá uma vontade de chutar mesas e cadeiras e espalhar cacos de vidro pela casa. A dádiva seria, se em meio a essa confusão, as paredes rompessem com a pressão d'água.

terça-feira, 13 de junho de 2006

cena de hoje

Um velho chorando. Sentado na escadaria de uma velha casa de madeira. Roçando o pé no assoalho riscado e podre. Barba rala e olhar amargo. Suspira, seca algumas lágrimas com a manga da camisa, apóia-se nos joelhos e levanta. Bate as botas cheias de barro na escada e entra na casa. Silêncio.

Na cozinha, abre a geladeira tira seis gatos albinos do freezer e os acomoda em seis pequenas cadeiras. Ele e os gatos à mesa jantam um rescaldo do almoço. Uma certa coisa gosmenta, fedorenta e, mesmo assim, de dar água na boca. A primeira garfada só vem depois da oração. Entre miados e grunhidos, todos dizem amém e devoram a comida.

sábado, 10 de junho de 2006

Mugnolini contra o velho da Kombi

Para ler ouvindo Cowboys, do Portishead

O tiro rompeu o baço. Não sangrou. Não doeu.

Seguiu caminhando. Atropelando a ansiedade, tropeçando na inquietude. Sem cigarros entrou na primeira espelunca. Acomodou-se no balcão. Pediu a especialidade da casa. No balcão um velho amigo que servindo algo que jamais tinha bebido. Desconfiado, olhou em direção da porta antes de tomar num gole só aquele copo borbulhante, de líquido amarelado e cheiro defectível.

Bateu forte com o copo na mesa. Limpou a boca com a manga da camisa branca, deixando um rastro amarelado. Tudo então ficou lindo e colorido. O mundo em câmera lenta, vozes arrastadas, olhos esbugalhados. Virou-se para trás e viu uma mulher loira descabelada cantando sobre uma mesa. Sacudiu a cabeça. Levantou do banco e tomado de uma raiva contida, vociferando como um mamute rouco da amidalite chutava cadeiras e derrubava copos e garrafas das mesas.

Não sentiu nada antes do soco. Um cruzado de esquerda. Caiu sobre uma pilha de garrafas vazias e adormeceu. Dois outros cavalheiros encarregaram-se de arrastá-lo para fora do bolicho. O bar ficava numa elevada. Nosso amigo então foi rolando morro abaixo. Acordou. Sacudiu a poeira e levantou. Atravessou a rua e tomou o primeiro ônibus que apareceu. Linha 40? Não, linha 20, respondeu o cobrador. Tudo bem, pego dois de 20, então. E sentou-se ao lado do motorista. Desceu na parada seguinte. Tomou outro Linha 20 e desceu na última estação.

Olhou para os lados. Alto da madrugada. Acendeu o último cigarro da carteira e seguiu pela rua, chutando uma lata de sardinha perdida na sarjeta. Três quarteirões depois, um bando de chinelos jogava conversa fora. Assim que avistaram nosso caríssimo amigo, foram pra cima dele. Sem titubear, nosso compadre puxou da cintura um revólver e disparou seis balas. Seis moleques caíram como saco de lixo lançado no banhado. Sorriu, guardou o revólver. Seguiu pela mesma rua. Tirou uma anotação do bolso: “Terceira casa à esquerda depois dos disparos”.

Entrou na casa, puxou pelos cabelos uma menina. Amarrou-a, vendou os olhos e deixou-a na calçada. Voltou e tirou da casa outra mulher, mais velha. Mesma coisa. Leia o que ele fez com a menina fez o mesmo com essa mulher mais velha. Voltou e arrancou a tapas um senhor careca e bigode preto. Tirou as calças do velho e bateu com um sarrafo de taquara. O velho caiu de joelhos e espatifou os dentes no jardim da casa. Amarrou uma corda nas pernas do velhote e na outra ponta prendeu a Kombi estacionada em frente da casa.

Desvendou a menina e a mulher e disse: “Divirtam-se”. As duas entraram na Kombi e saíram pelo bairro arrastando o velho pelas bibocas, passando em todas as ruelas por onde o velhote saia a caçar suas menininhas.

E assim termina mais uma história do nosso herói do desenho inanimado que você pode ler todos os sábados aqui na sua telinha. Um dia desses teremos dinheiro para rabiscar essas cenas papeleiras.

quarta-feira, 31 de maio de 2006

não

A casa não fechou. Só tô ocupado limpando e pintando o teto. Não ficará como o teto das capelas das igrejas pintadas por ateus. Ficará melhor.

Se tiverem paciência...Buda ensinará o caminho. Se tiverem pressa e muito dinheiro, rapidinho dou um jeito nisso.

Fui.
Até ontem.

segunda-feira, 29 de maio de 2006

andróides e ligantes e guitarras elétricas

Imagine um som tosco e rasgado de guitarras soando um timbre de raiva e mandando se foder. Em segundo plano um ruído andróide perfurando os tímpanos. Já na primeira audição dos primeiros acordes é impossível não gritar: "Andróides sonham com guitarras elétricas".

O novo CD da Ligante Anfetamínico será enviado sexta-feira pra prensa. Que venha logo.

sábado, 20 de maio de 2006

Um dia desses, na beira de um rio fumegante de frio, ouvi Oblivion. Caminhei rio adentro, pés gelados e o sangue bombando desenfreadamente. A melodia fisgava meu corpo como se fosse uma bando de piranhas rasgando a pele. Fechei os olhos e segui caminhando. Atravessei o rio, atrás um rastro de sangue. Do outro lado do nevoeiro, Piazzolla seguia tocando Oblivion.
- Eu tiro o que é da vida e entrego à morte. E quero que você continue devolvendo à vida cada morte sua.

foto: mugnolini

sexta-feira, 12 de maio de 2006

domingo

MONOsoudz no zarabatana domingo.....

pra não dizer que hoje também não tem nada

A brisa lá fora espanta o sossego.