sexta-feira, 18 de julho de 2008

bastidores da disputa

Agora explico a piada do picolé. Mas ainda bem que nem todo mundo precisa da explicação. Mas já que o mundo é redondo e todos os dias vemos fotos pra mostrar que de fato o mundo é redondo, não custa nada.

Well, essa semana Eduardo Dall'Alba, poeta bem quisto por uns e não tão bem quisto por outros, foi citado em uma reunião de livreiros e coordenadores da Feira do Livro de Caxias. Por que citado? Boa parte das pessoas que estava na reunião escolheu Dall'Alba para ser patrono. Baseados em que? Carreira literária, of course.

MÃNS...e aí vem a QUESTÃ que eu tinha dito dias atrás...parte desse grupo não queria aceitar Dall'Alba. E sabe por que? Porque ele não é um cara legal, porque ele é sempre muito crítico com respeito à literatura na cidade, porque enquanto esteve na comissão de avaliação e seleção dos projetos Fundoprocultura ele sempre foi bastante rígido, não aceitando qualquer trabalho...e por aí vai.

Teve gente até que cogitou o fato de o irmão do Dall'Alba ser filiado e membro ativo do PT (partido de oposição ao atual governo em Caxias)...

Por isso, a efetivação de Dall'Alba como patrono ficou em banho maria. E por isso aquele meu post um pouco evasivo. Porque ainda era cedo e eu temia que um aprofundamento das reais questões atrapalhasse a candidatura dele. Agora que o título é dele, ninguém mais tasca. Espero.

Mas aquela paranóia de perder o palito de picolé premiado quase se consumou. Quase. Não fosse a certa boa pressão do Carlinhos Santos na coluna 3por4 e um ou dois telefonemas de um e outro aí...quem sabe Dall'Alba teria ao invés de uma boa surpresa uma péssima notícia...porque teríamos de contar a ele o quase-título-que-quase-ganhou.

Felizmente a história teve um desfecho diferente. Chato vai ser administrar esse fato diante de todos. Principalmente quando todos os participantes daquela reunião apertarem a mão de Dall'Alba. A consciência vai pesar. E alguns poderão até ficar rubros tamanha raiva-e-ou-vergonha.

Mas aí, é como dizia meu avô: "cada um com seus problemas".

Dall'Alba patrono da Feira do Livro 2008, parabéns.

Só pra não dizer que não falei em poesia:

“Os olhos verdes práticos falando a ouvidos moucos.
As vozes tortas, sádicas, enquanto amigos, cínicos
a olhar a foz do córrego. Esparramando-se no tálamo
dentro da casa, frívola”.

a chicreta da babalu

Nada é o que aprece. E de onde menos se espera é que vem o discurso que salva, a mão que balnça o berço, a explicação para a derrocada e a salvação da lavoura.

Adelar Bertussi, homem de boa fé, faca na bota, virtuose do acordeom, tropeiro da música gaúcha, faz mágica com chiclete.

Na quarta-feira acordou cedinho, tomou banho quase gelado, pôs o sapato mais bonito que tinha na casa laranja da Mulada, interior de Criúva, que por sua vez é interior de Caxias do Sul, e saiu a passo largo pra tomar o ônibus que o traria para Caxias do Sul. Aproveitou o sacolejo do ônibus e dormiu um pouco. Chegando na cidade, Capital Intergaláctica da Cultura, se aprumou e na hora de descer do ônibus tropeçou.

Não caiu no chão.

Mas a sola do sapato desgrudou quase todinha. Pobre Adelar. Saiu mancando, com medo de que o resto da sola ficasse pelo caminho. Avistou uma sapataria e foi o mais rápido que pôde. Não vale rir nessa hora. Pobre Adelar. Mancando.

- Olha, seu Adelar...vai demorar umas duas horas pra cola pegar aqui nessa sola. Porque o sapato é de couro e a sola de borracha.
- Ah, não...
- É Seu Adelar...é que se fosse colar couro em couro, ou borracha em borracha era mais fácil.
- Então deixa assim. Tchau e obrigado viu!?

Adelar saiu a passo pequeno, pensando em como resolver o probelma da sola que queria fugir. Pra pensar melhor no assunto resolveu tomar um café. Sentou-se no balcão e enquanto saboreava o amargo do café, perguntou ao atendente:

- O senhor tem aí chicreta?
- Chiclete, temos sim.
- E qual é a maior chicreta que vocês tem aí?
- Babaloo.
- Então me vê aí uma dessas chicreta de babalu.

Adelar mascou um pouco. Tirou a "chicreta de babalu" da boca, colocou na palma da mão e afinou a chicreta. Não é preciso ser gênio para deduzir que Adelar, o Tropeiro da Música Gaúcha, enfiou a chicreta de babalu entre a sola e o sapato.

- E não é que grudou? Olha aí, tô andando a passo largo de novo. Tô pensando em voltar lá na sapataria e mostrar minha invenção. Mas é que eu não sou burro, né! Pensei cá com meus botões... Chireta é um terror...onde gruda não desgruda mais... Pode ver, tem gurizada que adora colocar chicreta nas cadeiras pra quando a gente sentar ficar a chicreta grudada na calça. Não sai nem com reza braba.

Adelar, agora além de virtuose do acordeom, anda metendo banca de Professor Pardal.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

picolé premiado com poesia


Alguém de vocês já ganhou algo e depois teve de devolver? É como se a Kibon e seus picolés premiados não valessem de nada. Nada.

Pois bem, um passarinho verde me contou que tem um cidadão caxiense quase caindo nessa armadilha. Queriam dar a ele um título, mas parece, parece voltaram atrás.

Por que? Ora bolas, eu conto a piada e ainda querem que eu explique?

Aguarde as cenas dos próximos capítulos. Mas, infelizmente, nessa novela não vai ter cena de casamento. Nem a feia vai casar com o milionário.

É mais profunda a QUESTÃ.

Porque a poesia sempre é mais intensa e vívida do que a prosa. Venha de onde vier.

Assim como a paulada. Não importa de onde venha, sempre dói.

metal caxiense nas américas

Até parece disco riscado, mas, pô, tem horas que dá até raiva. Por que santo de casa nunca faz milagres? A banda Predator é mais um bom exemplo. Bom? Não. Excelente exemplo. Os caras são adorados mundo afora enquanto que em Caxias ninguém dá bola, ninguém sequer cumprimenta os caras por eles levarem o nome da cidade para outros países.

Tá marcado para começar neste final de semana uma tour pelo América do Sul. Inclui shows pelo Uruguai, Argentina, Brasil e Paraguai. Caxias não tem dado valor nem mesmo à música folclórica italiana (vide toda a polêmica na Festuva) o que dirá dar atenção pra banda de metal.

É pouca vergonha? Não...issso é Capital da Cultura.

O importante é que os artistas de Caxias continuam a fazer a sua vida, a trilhar a sua carreira, independentemente do tapinha nas costas.

Parabéns, Predator! Hate around the world tour!

Inté a volta

terça-feira, 15 de julho de 2008

punk alimenta a capital


Ei-la aí, em primeira mão, a capinha do DVD de uma música só da Ligante Anfetamínico. Atentem para o selo no lado esquerdo, abaixo. É o selo de Caxias Capital Brasileira da Cultura, em 2008. É como diz minha vó: "Hoje em dia até punk anda ajudando esse negócio aí de Capital".

caxias capital da cultura 2009?

Ah, não. Nesse quesito Caxias não pode se reeleger. Não nesse.

Well, Caxias é a Capital Brasileira (alguns dizem INTERGALÁCTICA) da Cultura, em 2008. Mas a cidade ainda espera realizações que justifiquem o prêmio. Enquanto isso, a ONG CBC (Capital Brasileira da Cultura), com sede e foro, em São Paulo, cujo secretário que atende ao telefone fala 'portunhol', já revela os concorrentes para ser Capital da Cultura em 2009.

Disseram que Caxias tentou a dobradinha, mas o chefe da ONG mostrou o regulamento e não dava. É que...quem sabe...com mais um ano de Capital, Caxias quem sabe...assim, quem sabe mesmo...não conseguisse enfim pôr em prática os planos que tanto e tanto e tanto idealizou. Ufa, até dá um cansaço escrever isso.

Well, seguindo, então a ONG CBC revela os concorrentes para virar Capital 2009. Ei-los aqui:

Areia (PB)
Mariana (MG)
Montenegro (RS)
São Luís (MA)
Senador Pompeu (CE)

Sendo gaúchos aguerridos e fortes, deveríamos todos nós caxienses torcermos para Montenegro, aquela cidade onde tem um pedágio comunitário, sabe? na ida pra Porto Alegre, a capital política do estado...sabe, né? MÃNS...TODAVIA...PORÉM...eu prefiro apostar em AREIA. Uma bela cidade esquecida no interior da Paraíba. A cidade tem 26 mil habitantes e no passado já se chamou Sertão de Bruxaxá. "Êta porra", como diria o escritor Marcelino Freire.

Então cantemos juntos:

"Eia, eia eia...Areia já ganhou" (no ritmo que mais lhe convir).

Requisitos culturais de AREIA:

"Areia foi a primeira cidade na Paraíba a ter a sua área totalmente protegida e preservada, obtendo do IPHAN o título de Patrimônio da Cultura Nacional, onde se destacam o Teatro Minerva (o primeiro construído na Paraíba); Casa Museu Pedro Américo, com inúmeras réplicas dos quadros deste que foi o mais célebre cidadão areiense, entre elas a famosa obra "O Grito do Ipiranga", encomendada a ele por Dom Pedro II, cujo original encontra-se no Museu do Ipiranga em São Paulo; a Igreja Rosário dos Negros e Museu da Rapadura, que apresenta as várias etapas da fabricação dessa iguaria e dos outros derivados da cana-de-açúcar. Tem também como atrativos muitas riquezas naturais no Parque Estadual Mata do Pau Ferro, com diversas fontes e balneários aquáticos. No seu calendário de eventos culturais se destacam: Festival da Cachaça e Rapadura, Festival de Música e Festival de Artes."
(BY RELEASE OFICIAL DA ONG)

Perceberam a semelhança com Caxias, Capital 2008? Os AREIANOS também têm a sua Festa da Uva. Mas lá, eles chamam o encontro enogastronômico de Festival da Cachaça e da Rapadura. Só não vendem EDREDÃO...nem CASACO de COURO porque lá não faz tanto frio como aqui. Mas ralador de batata e pastel na banha tem sim.

Well, quem quiser visitar AREIA, sem pagar muito caro, que vá logo. Porque em 2009, quando AREIA virar CAPITAL INTERGALÁCTICA DA CULTURA os preços vão subir cerca de 800%. Vide Caxias. Não conseguimos mais transitar pelas ruas da cidade sem encontrarmos centenas e centenas de turistas de todas as partes do mundo.

Tem até cineasta colombiano que veio pra cidade SÓ PORQUE AQUI É A CAPITAL BRASILEIRA DA CULTURA. Pena que ele encontrou mais gente por aqui que ODEIA e tem NOJINHO de estrangeiro, do que gente que lhe abre as portas de casa. Well, QUESTÃNS culturais.

Mas vamo que vamo.

Fui, até amanhã. Porque hoje fui pra AREIAS. Areias Brancas.


P.S.: A cidade ganhadora será divulgada pela ONG CBC no dia 31 de julho próximo. A Comissão Julgadora que analisará as candidaturas apresentadas estará formada por representantes do Ministério da Cultura, Ministério do Turismo, IPHAN, Prefeituras de Olinda, São João del Rei e Caxias do Sul, e ONG CBC.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

santa maria capital do cinema

Santa Maria é um oásis no interior do estado quando o assunto é cultura. Não só cultura de bar. É só perguntar pra quem mora lá, ou já morou ou mesmo quem só passou uma noite por lá. As pessoas respiram cultura, se interessam pelas atividades culturais... Só pra ter um exemplo, e provar quanto é diferente de Caxias: se aqui tivessem criado um festival de cinema há 7 anos, ele já teria virado peça de extinção.

Por quê? Só vou dar um exemplo...alguém lembra que há alguns meses veio pra cá uma mostra especial do Festival É Tudo Verdade? Pois bem, a maioria dos espectadores era de universitários. Mas universitários de PELOTAS, e não de Caxias, ou mesmo da UCS. Aliás, a mostra ocorria no cinema da UCS...e mesmo assim, os universitários de PELOTAS é que ajudaram a não deixar a sala vazia.

Só pra não dizer que sou SÓ chato. Segue aí informação quentinha sobre o Festival de SANTA MARIA. Atentem para o prazo de inscrições dos filmes. Sei de um bando de gente que tem filme prontinho, ou em vias de ...e deveria inscrever.


RELEASE OFICIAL dos meus compadres de Santa Maria:

O Festival Santa Maria Vídeo e Cinema (SMVC) chega à sua sétima edição reafirmando seu principal objetivo: ser democrático, plural e independente.

Neste ano, além da realização de mostras de filmes e vídeos no Theatro Treze de Maio, Praça Saldanha Marinho e Cineclube Lanterninha Aurélio – Centro Cultural CESMA, também estaremos realizando exibições em vários bairros de Santa Maria. Também é característica do festival a realização da Mostra RodaCine e do Seminário Gaúcho de Cinema, em parceria com a Estação Cinema – Associação dos Profissionais Técnicos de Cinema e Vídeo de Santa Maria. Outra característica do SMVC são as oficinas, exposições e debates.

A Mostra Competitiva, em 2007, teve um número recorde de inscritos, tanto na Mostra Nacional quanto na Mostra de Santa Maria e região. Foram 384 inscritos, sendo que 23 curtas-metragens de Santa Maria e região. As inscrições para as mostras competitivas de curtas do 7º Santa Maria Vídeo e Cinema podem ser feitas através do site http://www.smvc.org.br/ até 27 julho (data de postagem de 28 de julho).


Tá esperando o que, rapá?

sábado, 5 de julho de 2008

malandragem...dá um tempo!

Como diz o Zé Simão, "Brasil: o país da piada pronta". Acabo de ler na internet. E nem vou me dar o trabalho de reescrever com minhas palavras, porque o escravo lá do Yahoo já fez isso e tá recebendo (pouco, mas recebe salário) pra escrever por mim:

"A partir de 30 de setembro e até 48 horas depois do primeiro turno, nenhum eleitor poderá ser preso, a não ser em caso de flagrante ou se houver sentença criminal condenatória por crime inafiançável. Nas cidades onde o pleito se estender ao segundo turno, os eleitores também não poderão ser detidos, a não ser nos casos excepcionais, entre os 21 e 28 de outubro. O resultado do primeiro turno das eleições será oficializado pelos juízes eleitorais em 11 de outubro. Se houver segundo turno, o resultado oficial deverá sair até 13 de novembro."

Bom, tá dado o recado. Quem puder avacalhar geral e ainda conseguir fugir, é prato cheio. Só o redator aí do Yahoo esqueceu de me dizer se o medida serve também para casos de USO DA MÁQUINA PÚBLICA, LAVAGEM DE DINHEIRO, CORRUPÇÃO, AUTO-AUMENTO ABUSIVO DE SALÁRIOS, e outros quetais...

Eu devia ter ouvido o meu falecido avô comunista: "guri, te filia ao partido mais reacionário que existir e vira prefeito".

Eu e minha mania de desobedecer aos mais velhos...tsc, tsc.

depois da barba branca, só o jazz

Fiquei velho.

Não percebi isso depois dos primeiros fios de barba branca. Nem mesmo depois de perder os últimos fios de cabelo. Envelheci. E não tem nada a ver com as juntas rangendo, nem com a certidão amarelada. Percebi que envelhecera quando aquele disco de jazz teimava em seguir sua sina. Aquele trumpete ressoando pela casa, servindo de trilha sonora de um beijo ardente e amorosamente apaixonado que só cessava para que pudessemos sorver uma taça de um bom vinho (bom por ser de bom gosto e também bom de preço), é o claro sinal de que envelheci.

Jazz. Quem diria, hein?

E o que fazer agora com todos os Radiohead? E os Sonic Youth? Se bem que misturando esses dois aí com a fúria vertiginosa do Zappa...com certeza seria uma boa provocação para Miles Davis. Seria o fim da trilha do rock nas minhas veias abertas? Para felicidade dos poetas Marco de Menezes e Augusto Nesi, sim. Aliás, pra eles será uma bênção saber que fui infectado pelo veneno do jazz.

Talvez o pessoal do Revival enfim reconheça que virei um velho chato e parem de me deixar frequentar o bar. Pô, mas eu tenho umas gordurinhas pra queimar. Não me impeçam de beber uma ceva gelada imaginando estar em um bar de rock no centro de Londres, lá por volta de 1976, 1977. Ou vai dizer que Ramones só faz sentido até os 30.

Talvez sim.

Deep Purple, não. Sempre foi som pra quem nasceu coroa. Pra quem já nasceu com mais de 30. Lembro de só querer aproveitar da demência juvenil que se encaixava tão bem à bizarrice de bandas como Sonic Youth ou Nirvana, mas meus companheiros de banda preferiam o flerte com a música erudita que fluia sem parar de bandas como Deep Purple. Ali parecia que a Terra do Nunca era o meu paraíso e meu paradeiro. Porto seguro.

Ledo engano.

Porque agora, vivendo sob a Era do Jazz, percebi a finitude ainda mais perto. Mas não tem problema. Vou levar a vida na mesma cadência desses serelepes que adoram soprar seus trumpetes mundoa fora.

Paciência, caro Baldi. Paciência. Quem sabe seja só uma fase e eu esqueça logo dessa palhaçada que é o jazz. Mas sabe que ando beeeem preocupado. Porque eu já tinha uma certa predileção a gostar de jazz, mas ainda me mantinha resistente e ouvindo a todo volume a saudosa guitarreira, seja em acordes bonitinhos, mas ordinários, como nas músicas do Led Zeppelin, seja na demência abestalhada e cheia de microfonias como em Sonic Youth.

Mas agora, acho que fudeu. Depois da barba branca, só o jazz pra me salvar.

enquanto isso... em fortaleza

Não, esse não é o seu tio bonachão, esse é o Sílvio Tendler.

Quem já anda com raiva do frio e não suporta a apatia das telas de cinema em Caxias, pode voar pra Fortaleza. Na terça-feira dia 8, às 19h, ocorre no cineteatro do Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza, o debate "1968: Cenas da Rebeldia", com o cineasta carioca Sílvio Tendler.

Na pauta: o comportamento libertário e criativo da Geração 68 no Brasil, que se traduziu na produção de canções, festivais, peças teatrais, exposições e filmes antológicos, além do papel de resistência à ditadura militar, exercida nas ruas pelos movimentos estudantis e as manifestações populares.

Não conhece o Sílvio Tendler? Pois deveria. É como um brasileiro não conhecer Didi, o inventor da folha seca. Sílvio Tendler nasceu em 1950, no RJ, é licenciado em História pela Universidade de Paris, e mestre em Cinema e História pela École des Hautes-Études/Sorbonne. E só pra encerrar, no campo acadêmico, Tendler fez especialização em Cinema Documental Aplicado às Ciências Sociais no Musée Guimet/Sorbonne.

Na carreira, Tendler já produziu cerca de 40 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens. Seu olhar procura desvendar o que está por detrás da história oficial do Brasil. O cineasta tem ainda três das maiores bilheterias de documentários na história do cinema brasileiro: "O Mundo Mágico dos Trapalhões" (1,8 milhão de espectadores), "Jango" (um milhão de espectadores) e "Anos JK" (800 mil espectadores).

Quem tem acesso ao Canal Brasil pode ter a sorte de ver de vez em quando algum dos filmes do Tendler. Mas se estiver em Fortaleza não perca a mostra dos seus filmes, que ocorre paralelamente ao debate. Confira a seguir os filmes da mostra:


Anos JK: Uma Trajetória Política - Dia 05, sáb, 10h15min
O filme aborda a História do Brasil: a eleição de JK, o nascimento de Brasília, o sucessor Jânio Quadros que renuncia, a crise política, o golpe militar e a cassação dos direitos políticos de Juscelino. O foco é a trajetória política de Juscelino Kubitschek, o "presidente bossa nova", popular entre os artistas, que propunha aceleração no desenvolvimento do País rumo à modernidade e a ocupação de um lugar entre as potências mundiais.


Jango: Como, Quando e Porque se Depõe um Presidente da República - Dia 12, sáb, 10h15
Narrado por José Wilker, o filme foca a trajetória de João Goulart que, deposto pelo Golpe de 1964, se tornou o único presidente brasileiro morto no exílio. O filme, visto por um milhão de pessoas, ganhou vários prêmios e está entre os documentários mais importantes do Brasil.


Memória do Movimento Estudantil - Dia 19, sáb, 10h15
Em 2004 foi criado o projeto Memória do Movimento Estudantil, uma realização da Petrobras, em parceria com a Fundação Roberto Marinho, a União Nacional dos Estudantes - UNE, o Museu da República e a TV Globo, que tem como objetivo recuperar e divulgar a história da militância dos estudantes no Brasil. Este DVD é composto por dois documentários dirigidos por Sílvio Tendler: "Ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil" e "O afeto que se encerra em nosso peito juvenil", com 50 minutos de duração, exibidos no cinema, e na TV, no Canal Futura.


Glauber o Filme, Labirinto do Brasil - Dia 26, sáb, 10h15
Documentário sobre a vida e a morte de Glauber, um dos brasileiros que mais pensou e amou o Brasil - e o cinema. O velório, filmado em 1981, o enterro, a dor; unidos a depoimentos de quem acompanhou, viveu, admirou, foi amigo e lutou junto com esse mito do cinema nacional, conta mais uma página da história do cineasta, uma história que permaneceu na gaveta durante dezoito anos e que agora ressurge como uma homenagem a este artista revolucionário e solitário.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

gramado

Falando em Gramado, o festival deste ano tem tudo para ser o melhor das últimas décadas, mas também pode e deve ser alvo de politicagem.

Explico.

É que como tudo na vida pública, seja a lixeira que você chuta ou a lâmpada de mercúrio lá do alto do poste que você quebra com um tijolo, tudo tudo é controlado pelo governo. E se a lâmpada continua quebrada, só em parte a culpa é do prefeito, a outra parte da culpa é de quem quebrou. Agora se a lâmpada simplesmente queimou a culpa é do funcionário público que não trocou e também do prefeito.

Ossos do ofício. Afinal de contas, ninguém pediu pra ser prefeito.

Voltando à Gramado. E como tem lâmpada queimada e quebrada por lá...ou vai dizer que você também acredita que Gramado sejam só aquelas duas ou três ruas mais centrais? Em Gramado também tem favela, mas lá elas ficam escondidas, embaixo do tapete vermelho.

Well, ao Festival.

O Festival de Cinema de Gramado é coordenado pelo Secretário de Turismo (sic). Seja lá quem ele for. Não importa se é como em Caxias, que gente que nunca leu um livro na vida vira coordenador de espaço público, ou se o cara é letrado na França. Aliás, a tendência é que intelectuais só sirvam pra ser intelectuais e não pôr a mão na massa.

Então, em Gramado, terra onde Michael Jackson deveria morar, visto que a fantasia importa mais do que a realidade, o secretário de Turismo...sic...é o papa do festival. Invariavelmente é um cara que vibra com o Arnold Shwarzenegger e chora com Tom Hanks, e pensa que o Ruy Guerra é panamenho e cantor de bolero.

No entanto, pra salvar o festival do derradeiro fim e do completo desterro artístico, há 3 anos resolveram chamar o crítico Carlos Avellar e o cineasta Sérgio Sanz pra dar mais credibilidade ao certame. É como se pra moralizar o futebol brasileiro, ao invés de matar o Dunga, a gente comesse (no sentido canibalesco) o Ricardo Teixeira. Well, com a vida desses dois bons velhotes, que ainda não têm idade pra ser papai noel, Gramado voltou a respirar.

Mas.....porém....contudo....todovia....Gramado ainda não saiu do coma. Ainda é um moribundo festival. Pra piorar as coisas, não é certo que Gramado manterá Avellar e Sanz como curadores, porque tudo vai depender das alianças políticas. Parece piada, mas é sério. Se a oposição levar...muda o cenário. Ou não?

Parece papo de bêbado esse assunto, mas eu juro que estou sóbrio.

Então, neste ano, enquanto estiver caminhando por aquele longuíiiiiiiiiiiiiiiiiiiiisimo tapete vermelho, cheio de purpurina, pense que o festival pode ter seu fim logo a seguir, dias depois da sua caminhada. Avellar e Sanz estão salvando o festival, mas político - invariavelmente - não se importa com gente como Sanz e Avellar, então é bem capaz que mesmo com a vitória da situação, a dupla vá bailar.

Ou não.

Vai saber.

Em Gramado tudo pode.

Quer prova? Liga lá no Ministério da Cultura e no Ministério Público e pede como andam as contas do Festival de Gramado. Pede se eles conseguiram provar os gastos das últimas edições...

Mesmo assim, é ferro na boneca e dê-lhe investimento da Petrobras, Nescafé...e por aí vai.

Isso ainda vai dar filme. Mas só poderá ser dirigido à moda Hunter.

Fui.

curtas em bh

Assim como Floripa não é só praia, nem em Goiás não tem só chifrudo, em Belo Horizonte há mais pra curtir do que os botecos. Por lá rola um dos festivais mais interessantes direcionados exclusivamente ao curta-metragem. Confira no link abaixo os curtas da seleção deste ano:

AQUI Ó.

Entre os destaques, o curta paranaense "Satori Urso", de Rodrigo Grota, que levou o prêmio da crítica no Festival de Cinema de Gramado, em 2007.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

segunda-feira, 9 de junho de 2008

floripa, sem escalas

E pensar que pra muita gente o único destino em Floripa é a praia...

Por lá acontece um dos festivais mais interessantes das américas. O Florianópolis Audiovisual Mercosul (mais conhecido como FAM) completa 12 edições. Quando começou era motivo de piada, mas hoje demonstra não só que aquele antigo pensamento era carregado de pedantismo, mas também de muita inveja.

Até o dia 13 de junho, diversos filmes, entre longas e curtas, brasileiros e latino-americanos, vão dar o tom do festival. Além disso, como sempre foi, o FAM abre as portas para discutir exibição, circulação e realização, tanto no cinema quanto na televisão. E por conta disso, a moral hoje do FAM é bem diferente. Passou de motivo de piada para necessidade de primeira ordem.

Só não vai quem tá desempregado ou é muito desatento, pra não dizer burro.

Quem ficou aqui, ilhado no outro lado do Mampituba, pode conferir tudo o que está rolando no blog: http://www.blogfam2008.blogspot.com/

Ou aqui pelo Mugnolini mesmo.

Boa sessão.

pelas ruas de paris

Já escrevi mil vezes sobre o Márcio Schenatto, mas escreverei outras mil em breve. É que o Márcio é daqueles exemplos fétidos de que santo de casa não faz milagre. Talvez ele seja o diretor de cinema de Caxias que menos exibiu seus filmes aqui na terrinha. Já venmceu festival em tudo que foi lugar, mas por aqui é menos conhecido do que o personagem que o consagrou.

Num dia desses, há uns 4 anos, o Márcio aparece e me pede emprestada a câmera de vídeo. Como era para um documentário, emprestei. E ali, sem nem mesmo sabermos (nem eu nem ele), nascia um dos documentários em curta-metragem mais intrigantes da última leva do cinema brazuca. E não sou eu quem diz, é gente da revista Aplauso, gente grande do cinema, gente grande do cinema internacional.

Esse doc, chamado de "Kylmair", que pretendia dar voz à intelectualidade do Ligeirinho, o varredor mais pop que Caxias já teve, enfim correu o mundo. A próxima parada é Paris. Não o Café Paris, mas a cidade luz, lugar onde nasceu a Nouvelle Vague. O filme participa da Mostra Nossas Novas, cujo objetivo é revelar aos franceses quais são as melhores produção recente de documentários independentes brasileiros. O festival encerra-se dia 14 de junho.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

a morte da apatia

Não há nada que sirva mais de alento do que um bom copo de vinho e a companhia dos amigos. Até porque, mudar não significa perder ou deixar algo no passado. E sim, transportar-se imediatamente para o futuro, para o inesperado, para o incerto. Sem medo. E não há melhor sensação nessa vida do que a mudança. Porque com ela vem a morte da apatia, esse câncer que a incompetência alimenta. Agora chega de filosofia porque eu preciso lavar a louça. Não sem antes, celebrar a vitória sobre a apatia.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

saneamento em paris

E não é que Jorge Furtado acabou levando um prêmio em Paris? Já expliquei. Não tem nada a ver com Cannes. Mas valeu a viagem, pelo menos.

Saneamento Básico, o Filme foi escolhido como o melhor filme pelo público na Mostra Competitiva do 10º Festival de Cinema Brasileiro de Paris, que terminou ontem. O júri acabou dividindo o prêmio de melhor filme com Mutum, de Sandra Kogut e Deserto Feliz, de Paulo Caldas.

rumo a paulicéia desvairada

O videasta barbosense Felipe M. Guerra foi convidado para a 4ª edição da mostra Nas Bordas do Cinema, direcionado à produção amadora, que ocorre entre os dias 27 e 30, na capital paulista. Guerra exibe por lá a comédia-terror Canibais & Solidão, lançada em 2006.

Participam ainda da mostra os filmes Recuerdos da República (2002); Gringo não Perdoa, Mata (1995); Rambú 3, O Rapto do Jaraqui Dourado; A Bruxa do Cemitério (2004); O Homem Sem Lei (2006); Zombio (1999); Minha Esposa é um Zumbi (2006); e O Suicídio (2007).

quinta-feira, 8 de maio de 2008

cinema brasileiro em paris

Saguão do cinema L'Arlequin: tá vendo o cartaz do Lavoura Arcaica? Eu vi!
Então. Se não tiver o que fazer por esses dias e tiver a fim de encarar um vôo internacional, te sugiro Paris. Por mil motivos. E não tem nada a ver com Napoleão (se bem que...deixa pra lá). Tem a ver com cinema. Mas nada (dessa vez) com Truffaut e Godard. E sim, com a invasão de uma penca de filmes brasileiros na Cidade Luz.

E aqui o Philippe Barcinski emparedado

É que tá rolando por lá a 10ª edição do Festival de Cinema Brasileiro de Paris, com exibições programadas para o Cinema L'Arlequin. A programação iniciou ontem, com a projeção de "Não por Acaso", de Philippe Barcinski, e segue até o dia 27 desse mês. E não é só de filmes que é feito o Festival de Paris, além dos 44 longas-metragens, haverá exposição de fotos, pockets shows e debates com os diretores.

O festival abriga diversas mostras especiais, além da competitiva. Confere aí:

Mostra Competitiva:
Não por Acaso, de Philippe Barcinski
Deserto Feliz, de Paulo Caldas
Incuráveis, de Gustavo Acioli
Maré, nossa história de amor, de Lúcia Murat
Mutum, de Sandra Kogut
Onde andará Dulce Veiga?, de Guilherme de Almeida Prado
Saneamento Básico, o Filme, de Jorge Furtado
Sem Controle, de Cris d'Amato
A Via Láctea, de Lina Chamie
Alucinados, de Roberto Santucci

Fora de Competição:
Ainda Orangotangos, de Gustavo Spolidoro
Bellini e o Demônio, de Marcelo Silva Galvão
Cidade dos Homens, de Paulo Morelli
Lavoura Arcaica, de Luiz Fernando Carvalho
Olho de Boi, de Hermano Penna

Noutro local, na Action Christine, ocorrem as mostras:

Grandes clássicos: Maio de 1968
Os Inconfidentes, de Joaquim Pedro de Andrade
Terra em Transe, de Glauber Rocha
Histórias Cruzadas, de Alice de Andrade

Homenagem a Roberto Farias : os clássicos
Assalto ao trem pagador, de Roberto Farias
Barra pesada, de Reginaldo Faria
Com licença, eu vou à luta, de Lui Farias
Pra frente, Brasil, de Roberto Farias
A Rainha Diaba, de Antonio Carlos Fontoura
Roberto Carlos em ritmo de aventura, de Roberto Farias
Toda nudez será castigada, de Arnaldo Jabor

Homenagem a Sílvio Tendler: Personagens que fizeram o Brasil
Jango
Os Anos JK - uma trajetória política
Glauber o filme - Labirinto do Brasil
Marighella, retrato falado do guerillero

E por fim, em Le Latina ocorre a mostra de documentários

Documentários do cinema brasileiro
Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho
Ninguém Sabe O Duro Que Dei - Wilson Simonal, de Cláudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal.
Encontro com Milton Santos, de Sílvio Tendler
O Coco, a roda, o pneu e o farol, de Mariana Fortes
Condor, de Roberto Mader
Estratégia Xavante, de Belisario Franca
Ginga, de Tocha Alves, Hank Levine e Marcelo Machado
Hercules 56, de Silvio Da-Rin
Mestre Bimba, a capoeira iluminada, de Luiz Fernando Goulart
Onde a coruja dorme? Bezerra da Silva, de Márcia Derraik e Simplício Neto
A Pedra do Reino, de Luiz Fernando Carvalho
Pindorama - a verdadeira história dos sete anões, de Roberto Berliner, Lula Queiroga e Leo Crivelare
Velhas Guardas, os encontros, de Joatan Berbel
Transocéan, de Adriana Komives

terça-feira, 6 de maio de 2008

o grande chefe

Até 1995 ninguém prestava atenção ou tinha a mínima curiosidade pelo cinema dinamarquês. Aí, um grupo de jovens realizadores de lá resolveu criar um manifesto. Então listaram 10 regras, chamaram de Dogma 95 e foram reconhecidos mundo afora, vez ou outra até com a chancela de importantes festivais como Cannes, na França. Dessa turma saiu o diretor Lars von Trier. É dele Os Idiotas, segundo filme do Dogma95, lançado em 1998, e ainda hoje um dos mais populares.

Dez anos depois, chega às locadoras brasileiras O Grande Chefe, produzido por Trier em 2006. Enquanto em Os Idiotas, a câmera disseca um bando de jovens abusando do humor negro em situações envolvendo portadores de Síndrome de Down, em O Grande Chefe, a foco da narrativa é idiotização do manda-chuva de uma pequena empresa afogada em incompetência e mágoas.

Um empresário da Islândia está prestes a comprar a companhia dinamarquesa, gerenciada por Ravn (Peter Gantzler). Mas a transação só será efetivada com a presença do Grande Chefe, até então uma figura mítica e desconhecida dos funcionários. Só que na real, esse Grande Chefe não existe. Era só uma forma de Ravn "domar" os empregados e dizer que todo mal ocasionado não era culpa dele, mas de uma entidade superior.
Só que o tal empresário da Islândia se nega a fechar negócio sem a presença do Grande Chefe. Eis então que Ravn tem uma idéia de gênio (aliás, de mané mesmo, risos), e contrata o ator Kristoffer (Jens Albinus) para fazer o papel de chefe. A comédia da história, não está só nas piadas, mas sobretudo na satirização da relação entre patrão e empregados. E tem mais, o ator passa a gostar da função de chefe e resolve atrapalhar os planos de Ravn.

O Grande Chefe parece mais uma revisão de rumos, como se Trier tivesse relendo sua carreira a partir de Os Idiotas, do que fiel às suas últimas produções como Dançando no Escuro (2000), Dogville (2003) e Manderlay (2005). Primeiro, porque resolve criar um novo método de realização. Ao invés de câmera na mão como em Os Idiotas (conforme as regras do Dogma 95), Trier fixa a câmera em um tripé e só trabalha com planos estáticos. Utiliza-se ainda de um recurso que ele chamou de Automavision. Ou seja, é o computador que seleciona a melhor posição da câmera e o enquadramento e não o diretor de fotografia.

Mas o discreto chame de O Grande Chefe é a narração em off do próprio Trier, que vê tudo (o filme e por conseqüência o seu cinema) do lado de fora do prédio da empresa. E logo no início Trier assume que O Grande Chefe é um filme estranho. Aos incomodados e insatisfeitos, uma pena terem desgostado. No entanto, quem se identifica com esse jeito bem particular de contar uma história banal, diz Trier, despido de qualquer modéstia: "é porque merece".

Comédia, Dinamarca, 2006, 100min.