O Moinho da Estação Blues Festival, que ocorre nos dias 21, 22 e 23 de novembro, não será apenas um grande espaço para assistir a shows de músicos importantes do gênero. O festival irá disponibilizar ainda um espaço importante para o aprendizado e aprimoramento das técnicas musicais. O pavilhão das oficinas vai se chamar Espaço Teclas e Cordas e promoverá quatro workshops no sábado e cinco no domingo.
Sábado (dia 22)
16h - workshop de guitarra e baixo blues com Ivan Mariz e César Lago (Beale Street, do RJ)
17h - workshop de harmônica - padrões rítmicos na gaita e efeitos com Jefferson Gonçalves (RJ)
18h - tecnologia e processo de fabricação de harmônicas com Melk Rocha (SP) dono da Bends Harmônicas (patrocinador oficial do festival junto com FSG e Stella Artois)
19h - Home Studio (Estúdio Caseiro) com Nei Neto (W37) e Marcel Van Der Zwam (W37)
Domingo (dia 23)
16h - musicalização infantil com Esmeralda Frizzo (domingo menores de 12 anos não pagam)
17h - amplificadores valvulados com Andy Boy (POA)
18h - workshop de escalas blues e aplicação na gaita com Ricardo Biga
19h - aula demonstrativa de rock/dança de salão com Giovani Monteiro e Sinara Suzin do clube Balroom
20h - aula demonstrativa de auto-estima com música do estúdio de danças Janaína Dambroz
Mais informãções no site oficial.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
aplauso
Vai dar na Aplauso (a revista, mané!). Caxias está novamente em primeiro no ranking das cidades do interior gaúcho mais EFERVESCENTES culturalmente. Entra tudo nessa conta, desde aparelhamento (número de salas de cinema, teatros e o escambau) até eventos fixos e reconhecidos.
Agora uma pergunta, o que vale mais um prêmio de uma ONG que ninguém nunca ouviu falar, e pede dinheiro pra inscrever...e diz que vai ajudar na colheira e depois não ajuda... Ou a constatação de um veículo sério e respeitado, como o caso da Aplauso, que depois de uma série de pesquisas e levantamentos constatou que Caxias é o berço cultural mais importante do interior do estado?
Eu voto na Aplauso.
E vamos todos enviar flores ao Antonio Feldmann.
Agora uma pergunta, o que vale mais um prêmio de uma ONG que ninguém nunca ouviu falar, e pede dinheiro pra inscrever...e diz que vai ajudar na colheira e depois não ajuda... Ou a constatação de um veículo sério e respeitado, como o caso da Aplauso, que depois de uma série de pesquisas e levantamentos constatou que Caxias é o berço cultural mais importante do interior do estado?
Eu voto na Aplauso.
E vamos todos enviar flores ao Antonio Feldmann.
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
festival de blues em caxias
Moinho da Estação Blues Festival
21, 22 e 23 de novembro
Caxias do Sul - RS
Se pudéssemos voltar no tempo quem sabe a antiga Estação Férrea de Caxias do Sul ainda receberia trens de todos os cantos, trazendo gente de todas as partes. Como isso não é possível, não pelo menos por enquanto, a Associação Moinho da Estação(AME) resolveu trazer um som de longe, que nasceu lá no hemisfério norte. Os músicos não virão de trem, mas com certeza, o lamento de seus violões e guitarras irá nos remeter ao bom e velho tempo dos trens deslizando sobre os trilhos. Nasce assim o Moinho da Estação Blues Festival, realizado em frente à antiga Estação Férrea de Caxias do Sul, no bairro São Pelegrino, inaugurada em 1910.
A primeira e histórica edição vai ocorrer nos dias 21, 22 e 23 de novembro. O palco principal será montado na frente da loja Blues Fashion, na Rua Augusto Pestana. O espaço poderá abrigar até 2,5 mil pessoas por dia. Entre as principais atrações do festival estão os blueseiros norte-americanos Magic Slim e J.J.Jackson, o carioca Jefferson Gonçalves, e a participação especial da Big Band da Orquestra Municipal de Sopros de Caxias do Sul.
Mas afinal de contas, por que um festival de blues em Caxias? Toyo, um dos organizadores, responde:
– Existe uma tendência de festivais de jazz e blues crescendo no Brasil. O Festival de Rio das Ostras, no Rio de Janeiro, teve em média 25 mil pessoas em cada um dos em quatro dias de shows. No Rio tem ainda o Festival de Búzios, em Minas Gerais o de Ibitipoca, e, no Ceará, o de Guaramiranga. Até no Maranhão tem festival de blues e no sul não tinha nenhum.
Um dos diferenciais mais interessantes do Moinho da Estação Blues Festival é a parceria entre três casas noturnas. Os principais shows do festival ocorrerão ao ar livre. Mas em nenhuma das três noites o lamento blueseiro vai se arrastar madrugada adentro, não pelo menos na rua. Pouco depois da 23h os shows na rua terminam, mas aí o blues segue dentro dos bares Mississippi Delta Blues Bar, Bongô e Havana.
– Nosso objetivo é transformar a Rua Augusto Pestana no espaço de entretenimento e cultura da cidade, com a vinda do Havana e futuramente do Teatro – justifica Toyo.
O Moinho da Estação Blues Festival é o principal evento de encerramento do ano em que Caxias ostentou o título de Capital Brasileira da Cultura.
21, 22 e 23 de novembro
Caxias do Sul - RS
Se pudéssemos voltar no tempo quem sabe a antiga Estação Férrea de Caxias do Sul ainda receberia trens de todos os cantos, trazendo gente de todas as partes. Como isso não é possível, não pelo menos por enquanto, a Associação Moinho da Estação(AME) resolveu trazer um som de longe, que nasceu lá no hemisfério norte. Os músicos não virão de trem, mas com certeza, o lamento de seus violões e guitarras irá nos remeter ao bom e velho tempo dos trens deslizando sobre os trilhos. Nasce assim o Moinho da Estação Blues Festival, realizado em frente à antiga Estação Férrea de Caxias do Sul, no bairro São Pelegrino, inaugurada em 1910.
A primeira e histórica edição vai ocorrer nos dias 21, 22 e 23 de novembro. O palco principal será montado na frente da loja Blues Fashion, na Rua Augusto Pestana. O espaço poderá abrigar até 2,5 mil pessoas por dia. Entre as principais atrações do festival estão os blueseiros norte-americanos Magic Slim e J.J.Jackson, o carioca Jefferson Gonçalves, e a participação especial da Big Band da Orquestra Municipal de Sopros de Caxias do Sul.
Mas afinal de contas, por que um festival de blues em Caxias? Toyo, um dos organizadores, responde:
– Existe uma tendência de festivais de jazz e blues crescendo no Brasil. O Festival de Rio das Ostras, no Rio de Janeiro, teve em média 25 mil pessoas em cada um dos em quatro dias de shows. No Rio tem ainda o Festival de Búzios, em Minas Gerais o de Ibitipoca, e, no Ceará, o de Guaramiranga. Até no Maranhão tem festival de blues e no sul não tinha nenhum.
Um dos diferenciais mais interessantes do Moinho da Estação Blues Festival é a parceria entre três casas noturnas. Os principais shows do festival ocorrerão ao ar livre. Mas em nenhuma das três noites o lamento blueseiro vai se arrastar madrugada adentro, não pelo menos na rua. Pouco depois da 23h os shows na rua terminam, mas aí o blues segue dentro dos bares Mississippi Delta Blues Bar, Bongô e Havana.
– Nosso objetivo é transformar a Rua Augusto Pestana no espaço de entretenimento e cultura da cidade, com a vinda do Havana e futuramente do Teatro – justifica Toyo.
O Moinho da Estação Blues Festival é o principal evento de encerramento do ano em que Caxias ostentou o título de Capital Brasileira da Cultura.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
as memórias da casa
Aparentemente nada faz sentido. Porque tudo está lá no mesmo lugar. A mesa no mesmo lugar, as canetas dentro do mesmo porta canetas, as gavetas repletas de coisas e nem tudo sei ao cero do que se trata. Na outra peça, mais armários e mais gavetas. Todas cheias de coisas. Quase tranbordando. No armário o cheiro das roupas ainda parece dizer que nada do que andam me dizendo é verdade.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
festival de animação em caxias
a volta do reny

Depois de um disco úmido, com cheiro de inverno e repleto de histórias de amores insanos, eis que Julio Reny volta a cena pra lançar um novo disco, em uma nova estação. O primeiro show de lançamento do CD "A Primavera do Gato Amarelo" ocorre nesta quinta-feira, dia 30, na Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre. Julio dividirá o palco com os músicos da banda Irish Boys e mais uma penca de convidados [King Jim (sax), Gabriel Gambá (sax, trompete), Ângela Wasun (vocais), Oly Jr. (harmônica e vocais) e Davi Machado (percussão)].
Curte a seguir o RELEASE OFICIAL do cancioneiro da chinelagem.
"Gravado em 8 meses deste ano em meio a um doloroso divórcio, “A Primavera do Gato Amarelo” é o disco mais pop e eclético da trajetória de Reny: nas 14 faixas do álbum, produzido pelo legendário Thomas Dreher (Ultramen, Cowboys, Jupiter), estão todas as obsessões do compositor, com os ritmos e estilos que sempre experimentou, a visão cinematográfica e romântica da lente do amor, as noites idealizadas em cidades reais e imaginárias e sobretudo a profissão de fé como artista, parafraseando Henry Miller de jamais 'dirigir na vida sem a arte'".
Vai lá... ou espere o pocket show (com sessão de autógrafos) em Caxias que vai rolar no Berlin Pub, dia 14 de novembro.
Fui colher amoras verdes.
Inté
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
curta o curta de estréia do samu
Em Caxias tem o Samu. É só ligar para qualquer emergência. Não importa o que. Desde crise de asma até bebedeira. Ou mesmo crise amorosa. É tudo com o Samu. Ele mora lá em Loreto, perto da Colônia do Scopell.
E não é que o Samu, experiente montador, agora vai estrear como diretor? Samuel Bovo, ao lado de Lissandro Stallivieri, lançam dia 3 de novembro o curta Finados, em três sessões, às 20h, 20h30min e 21h, no Centro de Cultura Ordovás.
Confere aí o trailer:
Fui
Suerte Samu.
E não é que o Samu, experiente montador, agora vai estrear como diretor? Samuel Bovo, ao lado de Lissandro Stallivieri, lançam dia 3 de novembro o curta Finados, em três sessões, às 20h, 20h30min e 21h, no Centro de Cultura Ordovás.
Confere aí o trailer:
Fui
Suerte Samu.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
tio ivo
Perde tempo nessa vida quem ainda não conhece o Tio Ivo. Alguém ainda lembra do Sean Connery, o eterno OO7? Pois bem, imagine o Sean daqui 10 anos...é o Tio Ivo, em pele e osso. Chapéu de lorde inglês aposentado, barba rala e branca, cabelo também ralinho e branco. Ah, e o mais interessante: suspensório.
O Tio Ivo veio almoçar aqui em casa. Trouxe de baixo do braço O Sul. Preferia Zero Hora, mas não encontrou. Chegou aqui em casa e bateu o olho num jornal do Litoral Norte. Folheou. Bateu o olho no editorial e ficou p* da vida. Ficou sabendo da palhaçada que foi a eleição em Torres. Denúncias de compra de voto, empréstimo de título de eleitor (por 100 pilas), engajamento de fucinonários da Brigada Militar, CEEE e DAER..., e etc. Mesmo com vídeos e fotos pra confirmar a denúncia, nada adiantou. O candidato que se beneficiou desse rolo todo, venceu.
Sentado à mesa, esperando o almoço, Tio Ivo pediu um copo de vinho tinto.
– Vinho antes do almoço, Ivo? – questiona Dona Geni, esposa do Seu Ivo.
– Ué, o que que tem? E tu deveria tomar pelo menos um copo de vinho todos os dias, ou então suco de uva. Faz bem pra saúde – retrucou Seu Ivo, com toda a paciência e maroteza que a vida lhe deu.
O almoço foi de lambuzar o bigode de qualquer gringo, como eu. (Lembrem, estou cada dia mais careca e ainda de bigode). Polenta mole, frango com molho de tomate e repolho cozido (um prato clonado dos alemães, que o chamam de Chucrute - em alemão, Sauerkraut).
Bebemos pouco, nem uma garrafa de vinho tinto.
Mas o melhor do que o cardápio e o vinho, foi a presença do Seu Ivo. Sempre sorrindo, mesmo antes de beber vinho. Bem humorado, ri e nos faz rir. Tem memória mais límpida e organizada do que muito piá de merda. Seu Ivo já plantou pencas de árvores e tem 3 filhos. Só falta um livro. Histórias não faltam. Aliás, sobram lembranças. E tem mais ainda pro vir. Afinal de contas, em janeiro Seu Ivo vai fazer só 82 anos. Quer mais?
Daqui a pouco ele volta aqui. Vai jogar canastra. Se bobear vai dar um banho em todos da mesa. Sem vinho, porque aí já é demais. É muita carta na mão.
Pausa.
Eu não disse. Seu Ivo veio. E me jurou de pé junto que bebeu suco de uva. Veio dizendo isso porque tropeçou no buraco da calçada. Mas não caiu.
– Tomei suco de uva e fiquei bêbado – disse, rindo sozinho.
O Tio Ivo veio almoçar aqui em casa. Trouxe de baixo do braço O Sul. Preferia Zero Hora, mas não encontrou. Chegou aqui em casa e bateu o olho num jornal do Litoral Norte. Folheou. Bateu o olho no editorial e ficou p* da vida. Ficou sabendo da palhaçada que foi a eleição em Torres. Denúncias de compra de voto, empréstimo de título de eleitor (por 100 pilas), engajamento de fucinonários da Brigada Militar, CEEE e DAER..., e etc. Mesmo com vídeos e fotos pra confirmar a denúncia, nada adiantou. O candidato que se beneficiou desse rolo todo, venceu.
Sentado à mesa, esperando o almoço, Tio Ivo pediu um copo de vinho tinto.
– Vinho antes do almoço, Ivo? – questiona Dona Geni, esposa do Seu Ivo.
– Ué, o que que tem? E tu deveria tomar pelo menos um copo de vinho todos os dias, ou então suco de uva. Faz bem pra saúde – retrucou Seu Ivo, com toda a paciência e maroteza que a vida lhe deu.
O almoço foi de lambuzar o bigode de qualquer gringo, como eu. (Lembrem, estou cada dia mais careca e ainda de bigode). Polenta mole, frango com molho de tomate e repolho cozido (um prato clonado dos alemães, que o chamam de Chucrute - em alemão, Sauerkraut).
Bebemos pouco, nem uma garrafa de vinho tinto.
Mas o melhor do que o cardápio e o vinho, foi a presença do Seu Ivo. Sempre sorrindo, mesmo antes de beber vinho. Bem humorado, ri e nos faz rir. Tem memória mais límpida e organizada do que muito piá de merda. Seu Ivo já plantou pencas de árvores e tem 3 filhos. Só falta um livro. Histórias não faltam. Aliás, sobram lembranças. E tem mais ainda pro vir. Afinal de contas, em janeiro Seu Ivo vai fazer só 82 anos. Quer mais?
Daqui a pouco ele volta aqui. Vai jogar canastra. Se bobear vai dar um banho em todos da mesa. Sem vinho, porque aí já é demais. É muita carta na mão.
Pausa.
Eu não disse. Seu Ivo veio. E me jurou de pé junto que bebeu suco de uva. Veio dizendo isso porque tropeçou no buraco da calçada. Mas não caiu.
– Tomei suco de uva e fiquei bêbado – disse, rindo sozinho.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
oásis tem nome e sobrenome
Fiquei muito triste em saber que a revista OÁSIS pode não ter um segundo número ainda este ano. 2009 com certeza. Na real, a OÁSIS deveria sair todo mes (perdoem a falta de acentuação em circunflexo...este pc não tem esse recurso). Quem ainda não leu não sabe o que tá perdendo.
Falando em oásis. Descobri que o oásis tem nome e sobrenome: White Sand's Beach. Supermercado vazio, repleto de silencio. Cachorros deitados a sombra, mais inertes do que as pulgas espalhadas debaixo do pelo. Mas isso é quase nada perto do baú de memórias.
Como pode um lugar como esses, desprezado por quase todos, taxado de inútil, evocar tantas lembranças. Começando pelo cheiro. Cheiro de marezia. Não...mais do que isso. Cheiro de infancia. De quando eu atravessava a praia pilotando uma Caloi azul, bem pequena. Cheiro de manhã morna, praia vazia, o sol aparecendo lá longe, dentro do mar. E eu ali, insignificante como um grão de areia, deslizando de um lado ao outro, gritando: "Zero Hora...Zero Hora". Ou então: ÓOOO...o sonho...".
E quase nada nessa vida vale mais do que banho de chuva na praia. Nem precisa ser dentro do mar. Ali na grama verde, ao lado da casa. Bola de futebol deslizando e as gotículas d'água escorrendo pelo corpo. Esgui, franzino. De tenis no pé, claro, mesmo debaixo da chuva, pra proteger das rosetas.
Depois de tudo, banho quente. Um livro pra ler até a chuva passar. Sempre lembro da casa da praia cheia de livros. Os livros do pai, os livros da mãe, os livros da mana, os meus livros. Mas as vezes eu roubava os livros da casa outra, aqueles clássicos de capa dura, que eram da coleção do pai e passava dias com sol e com chuva lendo e relendo.
O tempo passa e eu volto pra praia. A mesma praia que já foi cenário de tantas desventuras e tantos dias felizes. A mesma praia, mas parece outra. Só vira a mesma quando caio na rede e leio. Passo os mesmos dias com sol e chuva lendo. E sabes que alguns dos livros daquela infancia e adolescencia acabam voltando pro meu colo? Reler não é uma tentativa de entender, enfim. Mas de ir além. Porque o não-dito é tão ou mais forte do que o dito.
E as paredes da casa são cheias de não-ditos. Ainda bem. Quem sabe seja esse meu destino: decifrar o não-dito dos lugares mais comuns. Tão comuns, como a casa da praia, aqui mesmo, em Areias Brancas. Lugar desprezado e ignorado. E quem disse que as melhores flores nascem nos jardins mais explorados e desejados?
Falando em oásis. Descobri que o oásis tem nome e sobrenome: White Sand's Beach. Supermercado vazio, repleto de silencio. Cachorros deitados a sombra, mais inertes do que as pulgas espalhadas debaixo do pelo. Mas isso é quase nada perto do baú de memórias.
Como pode um lugar como esses, desprezado por quase todos, taxado de inútil, evocar tantas lembranças. Começando pelo cheiro. Cheiro de marezia. Não...mais do que isso. Cheiro de infancia. De quando eu atravessava a praia pilotando uma Caloi azul, bem pequena. Cheiro de manhã morna, praia vazia, o sol aparecendo lá longe, dentro do mar. E eu ali, insignificante como um grão de areia, deslizando de um lado ao outro, gritando: "Zero Hora...Zero Hora". Ou então: ÓOOO...o sonho...".
E quase nada nessa vida vale mais do que banho de chuva na praia. Nem precisa ser dentro do mar. Ali na grama verde, ao lado da casa. Bola de futebol deslizando e as gotículas d'água escorrendo pelo corpo. Esgui, franzino. De tenis no pé, claro, mesmo debaixo da chuva, pra proteger das rosetas.
Depois de tudo, banho quente. Um livro pra ler até a chuva passar. Sempre lembro da casa da praia cheia de livros. Os livros do pai, os livros da mãe, os livros da mana, os meus livros. Mas as vezes eu roubava os livros da casa outra, aqueles clássicos de capa dura, que eram da coleção do pai e passava dias com sol e com chuva lendo e relendo.
O tempo passa e eu volto pra praia. A mesma praia que já foi cenário de tantas desventuras e tantos dias felizes. A mesma praia, mas parece outra. Só vira a mesma quando caio na rede e leio. Passo os mesmos dias com sol e chuva lendo. E sabes que alguns dos livros daquela infancia e adolescencia acabam voltando pro meu colo? Reler não é uma tentativa de entender, enfim. Mas de ir além. Porque o não-dito é tão ou mais forte do que o dito.
E as paredes da casa são cheias de não-ditos. Ainda bem. Quem sabe seja esse meu destino: decifrar o não-dito dos lugares mais comuns. Tão comuns, como a casa da praia, aqui mesmo, em Areias Brancas. Lugar desprezado e ignorado. E quem disse que as melhores flores nascem nos jardins mais explorados e desejados?
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
o tempo
Tenho recebido mensagens de todos os cantos do mundo, e agradeço um a um. Mesmo espalhadas no mundo virtual, tenham certeza de que elas têm endereço certo no meu coração. Obrigado mesmo, a todos por todas as mensagens.
O Moishe, lá do outro lado do oceano, me fez lembrar de "Lavoura Arcaica". Que vimos como se fossemos dois irmãos quase-náufragos, navegando-sobrevivendo em uma canoa quase-furada. Nos agarramos com toda a força que podíamos e chegamos muito bem - e salvos - no outro lado do rio. Dolorida travessia, mas valorosa.
E o tempo, como diz o Pai (personagem de Raul Cortez), é impiedoso. A justa medida das coisas está no tempo. E só no tempo.
O Moishe, lá do outro lado do oceano, me fez lembrar de "Lavoura Arcaica". Que vimos como se fossemos dois irmãos quase-náufragos, navegando-sobrevivendo em uma canoa quase-furada. Nos agarramos com toda a força que podíamos e chegamos muito bem - e salvos - no outro lado do rio. Dolorida travessia, mas valorosa.
E o tempo, como diz o Pai (personagem de Raul Cortez), é impiedoso. A justa medida das coisas está no tempo. E só no tempo.
estranha paisagem
Faz frio. Chove. Pára. Volta o frio. Aquele orvalho gelado de manhãzinha. Neblina. Mas o jardim aqui de casa tá bem florido. E o Beija-Flor tá nem aí. Vem toda manhã bebericar do néctar da mesma flor cor salmão aqui perto da janela. Parece me dizer que não importa a estação, desde que tenha flor, o pássaro vai seguir fazendo o que sabe e o que deve fazer. Todo santo dia.
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
terça-feira, 14 de outubro de 2008
bem-te-vi cantando na janela
Podem me dizer que ando louco, um doido varrido, mas ando sentindo a presença do meu pai, em quase tudo para onde eu olhe. E calma, isso não anda me fazendo mal não, pelo contrário. Agora mesmo, vim aqui pra casa dele e da minha mãe e ouço um passarinho cantar forte, bem alto, como se quisesse realmente me fazer correr pra janela.
Espera.
Fui até a janela e sabe o que vi? Não vi só um passaro, mas uma revoada de vários deles, sobrevoando a casa dos meus pais. O céu não é dos mais lindos que já vi, porque está bem cinza, chove aquela chuva bem fininha, mas a cena é linda. Imaginem dezenas de pássaros felizes voando ao redor da casa. E de vez em quando volta aquele passarinho a cantar bem forte aqui perto da janela.
Agora, diz aí, tô louco, ou é mais um lindo sinal de que meu pai tá bem, lá pertinho de Deus, passando o relatório de tudo que precisa ser aprimorado aqui embaixo? E ainda, cuidando de cada passo de cada uma das pessoas que ele amou nessa vida. E ainda ama. Porque o amor não se dissipa nem com a morte.
Espera.
Fui até a janela e sabe o que vi? Não vi só um passaro, mas uma revoada de vários deles, sobrevoando a casa dos meus pais. O céu não é dos mais lindos que já vi, porque está bem cinza, chove aquela chuva bem fininha, mas a cena é linda. Imaginem dezenas de pássaros felizes voando ao redor da casa. E de vez em quando volta aquele passarinho a cantar bem forte aqui perto da janela.
Agora, diz aí, tô louco, ou é mais um lindo sinal de que meu pai tá bem, lá pertinho de Deus, passando o relatório de tudo que precisa ser aprimorado aqui embaixo? E ainda, cuidando de cada passo de cada uma das pessoas que ele amou nessa vida. E ainda ama. Porque o amor não se dissipa nem com a morte.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
chove
Enfim chove aquela chuva de lavar a alma, como dizia meu avô. Chuva que atravessa o solo quente e seco e vai molhar a seiva. Não é chuva forte, de destruir. É chuva intensa, de alimentar a vida.
E exatamente às 18h35min...mesma hora em que meu pai faleceu, mas dois dias depois, eis que rompe dos céus um raio, sem aquela estrondosa trovoada. Só o raio que iluninar o céu, bem próximo da janela aqui de casa.
Já é noite nessa primavera estranha com cara de outono. Mas não é noite vazia. É noite de seguir em frente. Noite de passar por mais uma nova etapa da vida. Vida que muda de sentido. Aliás, muda o jeito de ver as coisas e por isso muda o sentido.
E exatamente às 18h35min...mesma hora em que meu pai faleceu, mas dois dias depois, eis que rompe dos céus um raio, sem aquela estrondosa trovoada. Só o raio que iluninar o céu, bem próximo da janela aqui de casa.
Já é noite nessa primavera estranha com cara de outono. Mas não é noite vazia. É noite de seguir em frente. Noite de passar por mais uma nova etapa da vida. Vida que muda de sentido. Aliás, muda o jeito de ver as coisas e por isso muda o sentido.
segunda-feira sem sol
Acordei com uma estranha sensação. Meu pai se foi, mas já está aqui. Na verdade, mesmo quando estávamos distantes, sempre sentia ele por perto. E agora tenho a mesma sensação. Ele tá distante, em algum lugar que desconheço, mas sei que é perto de Deus, e mesmo assim sinto ele pertinho, cuidando e zelando por todos os passos.
A despedida em um velório nunca é fácil. Mas sabe por que foi tranqüila? Porque todas as pessoas (e tinha tanta gente, que só demonstra o quanto ele era uma pessoa querida e amável) só diziam coisas lindas sobre meu pai. E tanta gente que nunca vi na vida. E tanta gente dizendo coisas que me emocionaram. E tantos dizendo que ele havia sido um pai pra eles. Me sinti com ainda mais orgulho do meu pai. E eu que achava que já sentia tanto orgulho por ele. Senti ainda mais.
Tantas flores que chegavam e não cabiam na sala. Tantas homenagens. Tantas pessoas dizendo que é cedo, que ele tinha tanto por fazer ainda aqui, mas todos venerando a vida do meu pai. Todos orgulhosos de terem convivido com o meu pai. Todos exaltando o homem batalhador que ele foi, que nunca se deixou abater por nada nessa vida, não tinha inimigos, nem desafetos. Porque não guardava mágoa de ninguém. Nunca.
Foi bonito ver como pessoas de "mundos" tão diferentes foram lá ver meu pai. Tinha desde um motorista de camninhão da antiga empresa que meu pai ajudou a transformar em uma das mais importantes do país, passando pelo pintor da nossa casa, chegando até ao presidente da CIC. E no meio disso tudo, cineastas, empresários, artistas plásticos, cientistas, advogados, professores, DJs, políticos, gente que bota a mão na massa, jornalistas, médicos. Acho que só não tinha astronauta. Mas gente que vive no mundo da lua, sim.
Como foi bom ter sentido só olhares de gratidão e de amor. Muitos de saudade, que vai ficar pra sempre. Pai, fica bem ao lado de Deus. Estamos bem por aqui. Eu já vejo tudo diferente. Quase nada mais faz o mesmo sentido de antes. Obrigado por mais essa lição de vida, e em vida. Amar o que se faz, é uma delas. E como diz o tio Castilhos, pai do Rica:
- Só segue o exemplo do teu pai, mais nada. Só segue o exemplo dele.
Obrigado por tudo, a todos.
um beijo
Até logo.
A despedida em um velório nunca é fácil. Mas sabe por que foi tranqüila? Porque todas as pessoas (e tinha tanta gente, que só demonstra o quanto ele era uma pessoa querida e amável) só diziam coisas lindas sobre meu pai. E tanta gente que nunca vi na vida. E tanta gente dizendo coisas que me emocionaram. E tantos dizendo que ele havia sido um pai pra eles. Me sinti com ainda mais orgulho do meu pai. E eu que achava que já sentia tanto orgulho por ele. Senti ainda mais.
Tantas flores que chegavam e não cabiam na sala. Tantas homenagens. Tantas pessoas dizendo que é cedo, que ele tinha tanto por fazer ainda aqui, mas todos venerando a vida do meu pai. Todos orgulhosos de terem convivido com o meu pai. Todos exaltando o homem batalhador que ele foi, que nunca se deixou abater por nada nessa vida, não tinha inimigos, nem desafetos. Porque não guardava mágoa de ninguém. Nunca.
Foi bonito ver como pessoas de "mundos" tão diferentes foram lá ver meu pai. Tinha desde um motorista de camninhão da antiga empresa que meu pai ajudou a transformar em uma das mais importantes do país, passando pelo pintor da nossa casa, chegando até ao presidente da CIC. E no meio disso tudo, cineastas, empresários, artistas plásticos, cientistas, advogados, professores, DJs, políticos, gente que bota a mão na massa, jornalistas, médicos. Acho que só não tinha astronauta. Mas gente que vive no mundo da lua, sim.
Como foi bom ter sentido só olhares de gratidão e de amor. Muitos de saudade, que vai ficar pra sempre. Pai, fica bem ao lado de Deus. Estamos bem por aqui. Eu já vejo tudo diferente. Quase nada mais faz o mesmo sentido de antes. Obrigado por mais essa lição de vida, e em vida. Amar o que se faz, é uma delas. E como diz o tio Castilhos, pai do Rica:
- Só segue o exemplo do teu pai, mais nada. Só segue o exemplo dele.
Obrigado por tudo, a todos.
um beijo
Até logo.
domingo, 12 de outubro de 2008
rèquiem
"É tão estranho
Os bons morrem antes
Me lembro de você
E de tanta gente que se foi
Cedo demais"
As frase são de Renato Russo, mas cabem agora, dentro dessa madrugada veloz, como uma luva. Parece terem sido escritos para o dia de hoje. Parecem ter sido escritos para o Cláudio, o meu pai-herói. Foi cedo, bem mais cedo que desejávamos. Mas se foi cedo é porque fez aqui muito, mas muito mais do que quase todos. E se foi cedo é porque fez tudo o que tinha pra fazer, e fez BEM FEITO.
Amou com mais intensidade e entrega do que qualquer poeta um dia sonhou. Foi cedo. Talvez cedo pra gente. Não pra Deus que ansiava pelo dia em que pudesse enfim conhecer o maravilhoso Cláudio. Deus estava louco pra conhecer o homem que, na sua simplicidade, transformou não só a sua vida, mas a vida de muita gente.
Cláudio semeou aqui o que muitos jamais sonham existir. Meu pai fez aqui o que muitos sequer imaginam que é possível de se fazer. Meu pai não é só talvez o último romântico, mas quem sabe um dos últimos humanistas, na essência da palavra.
Pois é, Deus só podia querer conhecer logo esse filho que teve uma missão tão linda aqui na Terra. Pai te amo. E fico tão feliz de ter podido dizer isso tantas vezes e sempre com convicção e olho no olho. Até o último minuto, com aquele brilho lindo no olhar. Brilho que dizia até logo, meu filho.
A benção, pai.
Com amor, teu filho.
Os bons morrem antes
Me lembro de você
E de tanta gente que se foi
Cedo demais"
As frase são de Renato Russo, mas cabem agora, dentro dessa madrugada veloz, como uma luva. Parece terem sido escritos para o dia de hoje. Parecem ter sido escritos para o Cláudio, o meu pai-herói. Foi cedo, bem mais cedo que desejávamos. Mas se foi cedo é porque fez aqui muito, mas muito mais do que quase todos. E se foi cedo é porque fez tudo o que tinha pra fazer, e fez BEM FEITO.
Amou com mais intensidade e entrega do que qualquer poeta um dia sonhou. Foi cedo. Talvez cedo pra gente. Não pra Deus que ansiava pelo dia em que pudesse enfim conhecer o maravilhoso Cláudio. Deus estava louco pra conhecer o homem que, na sua simplicidade, transformou não só a sua vida, mas a vida de muita gente.
Cláudio semeou aqui o que muitos jamais sonham existir. Meu pai fez aqui o que muitos sequer imaginam que é possível de se fazer. Meu pai não é só talvez o último romântico, mas quem sabe um dos últimos humanistas, na essência da palavra.
Pois é, Deus só podia querer conhecer logo esse filho que teve uma missão tão linda aqui na Terra. Pai te amo. E fico tão feliz de ter podido dizer isso tantas vezes e sempre com convicção e olho no olho. Até o último minuto, com aquele brilho lindo no olhar. Brilho que dizia até logo, meu filho.
A benção, pai.
Com amor, teu filho.
sábado, 11 de outubro de 2008
semadura
Aquele céu quase azul. Quase céu de brigadeiro se foi. Voltou a chover, a fazer frio. Voltou a estranha densação de gosto ruim na boca, de leite talhado. Voltou aquela apatia no ar. Através da mesma janela não vejo hoje o Guaíba. Não teremos hoje o belíssimo pôr do sol. O sol já se pôs mesmo antes de nascer. Pelo menos hoje foi assim. O sol não veio, talvez tenha ido brilhar noutra janela.
Uma neblina tímida vem surgindo lá do horizonte. Parece realmente refletir o que sinto. Parece trazer a incerteza pra perto de mim. E a cada minuto que passa essa neblina vem se aproximando. Vem pra mais perto de onde estamos. Mas não tenha a sensação de que essa neblina só traz coisas ruins, ou só a incerteza do que vem com ela. Muito menos tenho a sensação de que ficarei cego debaixo dessa neblina.
Não mesmo. Essa neblina talvez seja só uma cortina. Quem sabe um portal? Vem pra iluminar e não cegar. Vem pra irradiar a paz, não semear a discórdia. Vem pra nos dizer o quanto somos só uma pequenina parte dessa imensidão. Vem pra nos dizer que sozinhos somos só partículas quase sem sentido, quase sem importância. Vem pra nos dizer que juntas, todas as partículas reunidas, somos essenciais uns para a vida dos outros.
O amor não é tão visível quanto a neblina, mas existe dentro de cada um. Resta saber quem teráo poder de semear o amor, em prol da sobrevivência de todos nós, e quem terá a safadeza de semear a discórdia, para o derradeiro fim de todos nós. Só sei que meu pai sempre semeou o amor. Ama com bondade. Ama com um desejo tresloucado de vida. Ama porque sabe que o amor não serve só pra ele. Não serve só pro bel prazer dele. Ama porque amar amplia assim a vida de todos. De todos nós. Meu pai ama e distribui amor em cada minuto, porque sente que assim agrega a todos. Porque o sentido da vida do meu pai sempre foi doar-se para o bem comum. Para o bem de todos.
E que assim seja, por todo o sempre. Amém.
Uma neblina tímida vem surgindo lá do horizonte. Parece realmente refletir o que sinto. Parece trazer a incerteza pra perto de mim. E a cada minuto que passa essa neblina vem se aproximando. Vem pra mais perto de onde estamos. Mas não tenha a sensação de que essa neblina só traz coisas ruins, ou só a incerteza do que vem com ela. Muito menos tenho a sensação de que ficarei cego debaixo dessa neblina.
Não mesmo. Essa neblina talvez seja só uma cortina. Quem sabe um portal? Vem pra iluminar e não cegar. Vem pra irradiar a paz, não semear a discórdia. Vem pra nos dizer o quanto somos só uma pequenina parte dessa imensidão. Vem pra nos dizer que sozinhos somos só partículas quase sem sentido, quase sem importância. Vem pra nos dizer que juntas, todas as partículas reunidas, somos essenciais uns para a vida dos outros.
O amor não é tão visível quanto a neblina, mas existe dentro de cada um. Resta saber quem teráo poder de semear o amor, em prol da sobrevivência de todos nós, e quem terá a safadeza de semear a discórdia, para o derradeiro fim de todos nós. Só sei que meu pai sempre semeou o amor. Ama com bondade. Ama com um desejo tresloucado de vida. Ama porque sabe que o amor não serve só pra ele. Não serve só pro bel prazer dele. Ama porque amar amplia assim a vida de todos. De todos nós. Meu pai ama e distribui amor em cada minuto, porque sente que assim agrega a todos. Porque o sentido da vida do meu pai sempre foi doar-se para o bem comum. Para o bem de todos.
E que assim seja, por todo o sempre. Amém.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
quase céu azul
A mesma paisagem. A mesma copa das árvores. Os mesmos prédios. A mesma ponte sob o mesmo Guaíba de sempre. Aqui de cima não se percebe a correria, os carros atravessando sinais fechados. Muito menos o discurso de vitória ou de derrota desse ou daquele que como sempre acaba se perdendo na própria confusão dos dias. O que resta do discurso é sempre nada. De qualquer discurso, é nada.
Os dias cinza se foram.
Um outro novo avião rasga esse céu quase azul. Seria mais azul não fosse essa fina camada de nuves que mantém os dias quentes. O avião passa longe demais pra eu saber se nele viajam vencidos ou vencedores. E vencer é uma palavra tão estranha. Vence quem se mantém vivo? Ou vence quem compra a vida? E quem compra paga em dólar? Ou paga em outras vidas?
Não sei e ando cansado de filosofia. Ando cansado de estatística. Ando cansado de exame de tomografia, de radiografia e cansado de ouvir falar em morfina. Ando cheio de vontade de falar de amor. Amor que sorve do peito de quem anda a pelo menos um andar acima da ignorância de sentir-se vivo só porque ganhou um jogo de truco.
Porque a maior lição de vida que aprendi com meu pai é: "Faz o que tu ama. E te entrega de coração. O resto é conseqüência".
É quase 13h. E continuo ouvindo a Giulietta Masina. Me disse ela antes de começar a tocar, que o importante da vida não está no que de mais expressivo se apresenta, mas no detalhe mais singelo e aparentemente banal. Porque é nessa hora que brota o amor. Ironicamente, no momento menos revelante do dia. Por que será?
Porque o que importa precisa ser bem acondicionado e bem preservado.
Agora chega de papo. É hora da canja, saborosa canja de galinha. Parece que o gostinho da canja levou meu pai de volta lá pra casa.
Os dias cinza se foram.
Um outro novo avião rasga esse céu quase azul. Seria mais azul não fosse essa fina camada de nuves que mantém os dias quentes. O avião passa longe demais pra eu saber se nele viajam vencidos ou vencedores. E vencer é uma palavra tão estranha. Vence quem se mantém vivo? Ou vence quem compra a vida? E quem compra paga em dólar? Ou paga em outras vidas?
Não sei e ando cansado de filosofia. Ando cansado de estatística. Ando cansado de exame de tomografia, de radiografia e cansado de ouvir falar em morfina. Ando cheio de vontade de falar de amor. Amor que sorve do peito de quem anda a pelo menos um andar acima da ignorância de sentir-se vivo só porque ganhou um jogo de truco.
Porque a maior lição de vida que aprendi com meu pai é: "Faz o que tu ama. E te entrega de coração. O resto é conseqüência".
É quase 13h. E continuo ouvindo a Giulietta Masina. Me disse ela antes de começar a tocar, que o importante da vida não está no que de mais expressivo se apresenta, mas no detalhe mais singelo e aparentemente banal. Porque é nessa hora que brota o amor. Ironicamente, no momento menos revelante do dia. Por que será?
Porque o que importa precisa ser bem acondicionado e bem preservado.
Agora chega de papo. É hora da canja, saborosa canja de galinha. Parece que o gostinho da canja levou meu pai de volta lá pra casa.
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