sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

O mesmo brilho, nem um pouco falso


Faz 25 anos que Elis Regina morreu,
e mesmo com o relançamento de CDs e DVDs,
amigas como Catarina ainda sentem a sua falta


19 de janeiro de 1982. Quem sabe o dia mais silencioso da recente história da música popular brasileira. Depois de passar a noite em claro e sozinha no seu apartamento nos Jardins, em São Paulo, Elis Regina Carvalho Costa foi encontrada morta. Encerrava ali a prematura carreira, aos 36 anos. O mito segue intenso até hoje, com o mesmo brilho, nem um pouco falso. A indústria fonográfica aproveita os 25 anos de morte e lança uma série de CDs e DVDs (confira abaixo). Para os fãs, isso pode amenizar a dor, mas para os amigos talvez não.

– Eu soube da morte dela pela televisão. Foi horrível. Eu não acreditava – recorda Catarina Pellegrini, 60 anos, professora aposentada.

Catarina foi colega de Elis dos 11 aos 16 anos, no Instituto de Educação General Flores da Cunha e no Colégio Júlio de Castilhos, ambos em Porto Alegre. Dividiram mais do que a mesma classe, dividiram intimidades, confissões e sonhos.

– A Elis tinha certeza que seria a melhor cantora do Brasil, sempre me dizia isso – lembra Catarina.

Naquela época, Elis se descobria artista. Gravava jingles publicitários e, assim, não apenas alimentava o sonho de ser a melhor cantora do Brasil, mas também contribuía para aumentar o orçamento da família.

– Ela sempre foi muito batalhadora – reconhece Catarina.

Numa das últimas vezes que esteve em Porto Alegre, Elis foi rever a amiga Catarina. Na época, Elis namorava o advogado Samuel Mac Dowell de Figueiredo. Catarina não recorda a data, mas sabe-se que Figueiredo manteve um relacionamento com a maior cantora do Brasil por seis meses, até a morte dela.

– Fomos jantar num restaurante e ela me pediu para ir ao banheiro com ela. Aí, ela me disse: "minha vida tá uma merda!". Bem assim, com essas palavras. E respondi pra ela que é nesses momentos que se pode contar com os amigos, mas ela respondeu que a vida dela andava muito complicada e não queria envolver os amigos – revela Catarina.

Catarina ainda sente falta da amiga. Infelizmente, as poucas cartas e muitas fotos, com Elis foram extraviadas. No fundo, não importa, porque Catarina guarda no coração as memórias dessa convivência.

– Elis era uma pessoa muito doce e afetuosa, mas carente. Ela vivia sob pressão, e por isso acabou fazendo uma loucura. Sinto não ter ficado ao seu lado quando ela mais precisou – emociona-se Catarina.

Numa entrevista reproduzida pela revista Veja na época da morte da cantora, ela resumiu numa frase o quanto a vida lhe parecia confusa.– Eu conheci o sucesso sem estar preparada para enfrentar a vida – desabafou Elis.



Relançamentos e novidades chegam
às lojas em função dos 25 anos da morte
da cantora gaúcha Elis Regina

Na Batucada da Vida, Doce Pimenta e Falso Brilhante, caixa com três DVDs da Elis Regina. Sob direção de Roberto de Oliveira, mostra vida e obra, da infância aos anos 80. Lançamento da EMI.

Os Primeiros Anos, CDs do início da carreira. Contém Viva a Brotolândia (1961) e Poema de Amor (1962). Lançamento da Globo Warner.

No fim do ano passado, a Trama lançou o álbum Elis (o último, de 1980). O CD vem encartado a um DVD contendo a célebre entrevista ao programa Jogo da Verdade, que a TV Cultura gravou dia 4 de janeiro de 1982, 15 dias antes de sua morte.

Há ainda no mercado dois DVDs: Grandes Nomes, da Rede Globo (1980) e, Ensaio, de 1973, da TV Cultura.

Reportagem publicada no Jornal Pioneiro.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Babel em cartaz...

...em São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro...

Amigo Pavão Misterioso, Babel entra em cartaz amanhã (sexta) no Brasil - menos, é claro, aqui na nossa Itália.

Sugiro ligar pro GNC, pro Ordovás e pra UCS pedindo quando Babel vem pra Caxias.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

A Babel do Globo de Ouro

Filme do mexicano Alejandro González Iñárritu
é eleito o melhor da premiação, considerada
uma prévia do Oscar


O mito da Torre de Babel, citado na Bíblia, não apenas inspirou Babel, filme do mexicano Alejandro González Iñárritu, mas também os críticos da Associação de Correspondentes Estrangeiros em Hollywood. Basta ver a lista dos vencedores do Globo de Ouro, revelados na noite de segunda-feira, e comprovar como o troféu foi bem dividido entre os realizadores, artistas e produtores de diferentes países.

O diretor mexicano Iñárritu levou o prêmio de melhor filme de drama. Sua história tem cenas no Marrocos, Estados Unidos, Japão e México. Deixou na poeira Os Infiltrados, de Martin Scorsese, que por sua vez levou a estatueta de melhor diretor. O filme de Scorsese trata do duelo entre a polícia de Boston e a máfia irlandesa.

Seguindo pela Torre de Babel, o norte-americano Clint Eastwood leva o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro (pasme!) por Cartas de Iwo Jima. A justificativa é que a produção teve investimento japonês e a trama falada em japonês. Absurdos à parte, o espanhol Pedro Almodóvar foi esnobado pelo Globo de Ouro.

Mas Meryl Streep não deixou por menos. Agradeceu ao prêmio de melhor atriz em comédia ou musical, por O Diabo Veste Prada, pedindo mais espaço para bons filmes, sobretudo os estrangeiros, nas salas de cinema dos Estados Unidos. E nominou, dentre as ausências da tela, Volver, de Almodóvar e, O Labirinto de Fauno, do mexicano Guillermo del Toro. A atriz espanhola Penélope Cruz, aplaudiu.

O império inglês também foi reverenciado pela "quase rainha" Helen Mirren. Ela levou dois prêmios de melhor atriz, um pela minissérie Elizabeth I, outra de melhor atriz em drama por A Rainha, no qual faz o papel de Elizabeth II. Seu compatriota, Sacha Baron Cohen, recebeu o Globo de Ouro de melhor ator em comédia ou musical por Borat, interpretando um suposto jornalista do Cazaquistão.

Agora, o que parecia piada aconteceu. A versão americana do pastelão colombiano Betty, a Feia, ganhou o Globo de Ouro na categoria melhor comédia da TV. Como se não bastasse, a atriz hondurenha America Ferrera levou a estatueta de melhor atriz de comédia pelo mesmo seriado. Essa Babel do Globo de Ouro, considerada uma prévia do Oscar, vai aquecer as apostas pela premiação mais glamourosa do cinema, que ocorre dia 15 de fevereiro.

Em 2006, Crash levou o Oscar de melhor filme. Babel, o vencedor do Globo de Ouro, tem o mesmo perfil de Crash. É contestador e político. Tratam da arrogância e discriminação de um mundo cada dia mais injusto. Resta saber se a Academia de Hollywood vai se repetir e voltar a premiar um filme crítico em detrimento de outros – como o grande vencedor do Globo de Ouro, com três estatuetas, o musical Dreamgirls – Em Busca da Fama, espécie de Antonia dos americanos. Façam suas apostas.


Os vencedores

Prêmios de cinema
Melhor filme (drama): Babel
Melhor atriz (drama): Helen Mirren (A Rainha)
Melhor ator (drama): Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia)
Melhor filme (comédia ou musical): Dreamgirls – Em Busca da Fama
Melhor atriz (comédia ou musical): Meryl Streep (O Diabo Veste Prada)
Melhor ator (comédia ou musical): Sacha Baron Cohen (Borat)
Melhor filme de animação: Carros
Melhor filme em língua estrangeira: Cartas de Iwo Jima
Melhor atriz coadjuvante em longa-metragem: Jennifer Hudson (Dreamgirls – Em Busca da Fama)
Melhor ator coadjuvante em longa-metragem: Eddie Murphy (Dreamgirls – Em Busca da Fama)
Melhor diretor: Martin Scorsese (Os Infiltrados)
Melhor roteiro: Peter Morgan (A Rainha)
Melhor trilha sonora original: Alexandre Desplat (The Painted Veil)
Melhor canção original: The Song of the Heart, música e letra de Prince (Happy Feet)

Prêmios de televisão
Melhor série dramática: Grey's Anatomy
Melhor atriz de série dramática: Kyra Sedwick (The Closer)
Melhor ator de série dramática: Hugh Laurie (House)
Melhor série (comédia ou musical): Betty, a Feia
Melhor atriz de série cômica ou musical: América Ferrera (Betty, a Feia)
Melhor ator de série cômica ou musical: Alec Baldwin (30 Rock)
Melhor minissérie ou telefilme: Elizabeth I
Melhor atriz em minissérie ou telefilme: Helen Mirren (Elizabeth I)
Melhor ator em minissérie ou telefilme: Bill Nighy (Gideon's Daughter)
Melhor atriz coadjuvante em minissérie ou telefilme: Emily Blunt (Gideon's Daughter)
Melhor ator coadjuvante em minissérie ou telefilme: Jeremy Irons (Elizabeth I)