sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Better man

Não quero muitas coisas. Hoje, principalmente, quero coisas que não façam barulho. Nada que me tire dessa singela viagem rumo ao infinito do amor eterno. Aquele amor que não se perde nem mesmo depois da morte. Porque é dolorido ver ali suspirar pela última vez alguém que se ama muito, mas a vertigem é condição de renovação da vida. Vida eterna. Pelo menos é nisso em que acredito. Porque ali está escrito nas escrituras sagradas. E porque sinto no coração que é assim mesmo.

Perde-se o abraço carinhoso, o beijo do pai sempre amoroso, as risadas depois de uma garrafa de vinho, os gritos de gol daquela partida apertada e quase impossível de vencer, as palavras-guia. Isso tudo eu perdi com a morte do pai. Mas ganhei uma estreita relação que não cessa nem mesmo enquanto eu durmo. Não fosse assim eu não teria acordado mais feliz hoje porque em sonho meu pai sorria e me dizia que tudo está bem. E me pediu pra ficarmos bem.

Aquele sorriso só dele, encantador, charmoso e de quem sempre viveu a vida na sua plenitude. Na plenitude de um homem bom. Eta palavrainha em desuso "bom". Quem não o conheceu talvez não saiba ainda o que é um "homem bom". Eu sei e tenho me policiado pra aprender a seguir apenas o exemplo dele. E esse homem bom é ainda mais sublime do que você imagina. Talvez eu nunca alcance essa dádiva que meu pai um dia alcançou, mas te confesso que tenho me dedicado a isso. Com afinco. E muito, mas muito amor.

Agora vou dormir porque tô um pouco cansado.
Inté.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

beijo amor, boa noite

Tem dias que nem o silêncio parece acalentar a dor. Tem dias que a saudade bate forte, o medo do amanhã rasga o peito como um poema-desterro. É como se o beijo no asfalto me fizesse amanhecer com um tedioso gosto amargo na boca.

Enquanto isso, o velho embaralha as memórias. Confunde os sentimentos e continua engordando o porco morto. Piada não se explica, mas no caso, ele, o gordo, é o porco morto.

Tem dias que o frio congela os ossos. Noutros parece que o perdão é uma palavra tão sem sentido e distante, como golfinhos deslizando sobre o desero do Saara. E nem memso a Sara, a da Bíblia, reconhece-se no espelho. Bendita seja ela o fruto desejado entre tantos homens. E assim seja. E foi. E sempre será.

No outro lado do rio, um menino caolho segue enfiando as mãos pelos pés. Joga futebol como quem flutua no espaço a caça de estrelas fugazes. Mesmo ainda bem menino ele sabe que a pipa não atravessa o rio.

Nada disso é sonho. Antes fosse. É realidade que meus olhos teimam em fisgar. A mesma realidade que me lançou dentro de uma noite veloz a perseguir uma menina linda, cujo olhar me enfeitiça e me devolve a um lugar tão singelo quanto caliente. Ao meu amor, muito mais do que as batatas, como diz naquele livro que ninguém lê, escrito pelo Machado de Assis.

Ao meu amor o perfume dos meus sonhos. Noite e dia. Ao meu amor, um beijo demorado que nos arrasta para dentro de nós mesmos. Sem pudor, nem vaidades. Beijo de amor. Simplesment, e por isso mesmo delirante, amor.

Já te disse hoje que te amo?